Igreja de São Jorge em Quintino

Vitral de São Jorge na Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, na Praça da República

Grafite de São Jorge na Rua das Laranjeiras

Painel de São Jorge num bar do Riachuelo

Imagem de São Jorge na Quadra da Beija Flor, em Nilópolis
Pintura de São Jorge em Quintino no dia da festa do Santo Guerreiro
Altar de São Jorge na Praça Quintino Bocaiúva no dia da festa
— Quem é você, criaturinha? — perguntou São Jorge parando diante dela.
— Eu sou a Emília, antiga Marquesa de Rabicó, sua criada — respondeu a boneca, muito lampeira e lambeta.
O santo ficou na mesma. E ainda estava na mesma, sem compreender coisa nenhuma, quando viu aparecerem Pedrinho e Narizinho com Tia Nastácia atrás, de mãos postas, rezando atropeladamente quantas orações sabia.
— Como conseguiram chegar ate aqui? — perguntou ele. — Isto me parece a maravilha das maravilhas.
— Foi o pó de pirlimpimpim que nos trouxe — respondeu Pedrinho — e dessa vez São Jorge ficou na mesmíssima.
[...]
São Jorge estava ali desde o reinado do Imperador Diocleciano sem outra companhia a não ser o dragão, de modo que ficava muito alegre quando alguém aparecia por lá. [...]
— E o senhor? — quis saber Emília depois que tudo foi explicado. — Agora que sabe a nossa historia, conte-nos a sua.
São Jorge contou que nascera príncipe da Capadócia e tivera no mundo vida muito agitada. A sua luta contra o poderosíssimo mágico Atanásio ficou histórica. Por fim fez-se cristão e em virtude disso padeceu morte cruel numa das matanças de cristãos ordenadas pelo Imperador Diocleciano. Depois da morte veio morar na Lua.
— E sabe que é hoje o patrono da Inglaterra? — lembrou Narizinho. — Vovó diz que o senhor é o santo mais graúdo de todos, porque dá o nome a muitas ordens de cavalaria e tem aparecido até em moedas de ouro.
São Jorge não sabia nada daquilo, nem sequer que era santo, porque só depois de sua morte é que começou a virar tanta coisa. Também não sabia o que era ser "patrono da Inglaterra", nem o que significava isto de "ordens de cavalaria". Os meninos tiveram de dar-lhe uma liçao de tudo.
— Mas não posso compreender donde vem a minha importância, o meu "graudismo" ... — declarou ele com toda a modéstia, pensativamente.
— Eu sei! — berrou Emília. — E por causa do dragão e dessa tremenda e bonita armadura de guerreiro. Santos de camisolão e porretinho podem ser muito milagrosos, mas não impressionam. Diga-me uma coisa: onde é que descobriu esse dragão?
O santo contou que era um monstro que ele havia matado certa vez em que o encontrou prestes a devorar a filha do rei da Líbia.
Mas se o matou, como é que o dragão está vivinho aqui?
Mistérios deste mundo de mistérios, gentil bonequinha. Eu também fui morto e no entanto todos lá da Terra (segundo vocês dizem) me veem aqui nesta Lua, a cavalo, de lança erguida contra o dragão. Mistérios deste mundo de mistérios.
— Eu sou a Emília, antiga Marquesa de Rabicó, sua criada — respondeu a boneca, muito lampeira e lambeta.
O santo ficou na mesma. E ainda estava na mesma, sem compreender coisa nenhuma, quando viu aparecerem Pedrinho e Narizinho com Tia Nastácia atrás, de mãos postas, rezando atropeladamente quantas orações sabia.
— Como conseguiram chegar ate aqui? — perguntou ele. — Isto me parece a maravilha das maravilhas.
— Foi o pó de pirlimpimpim que nos trouxe — respondeu Pedrinho — e dessa vez São Jorge ficou na mesmíssima.
[...]
São Jorge estava ali desde o reinado do Imperador Diocleciano sem outra companhia a não ser o dragão, de modo que ficava muito alegre quando alguém aparecia por lá. [...]
— E o senhor? — quis saber Emília depois que tudo foi explicado. — Agora que sabe a nossa historia, conte-nos a sua.
São Jorge contou que nascera príncipe da Capadócia e tivera no mundo vida muito agitada. A sua luta contra o poderosíssimo mágico Atanásio ficou histórica. Por fim fez-se cristão e em virtude disso padeceu morte cruel numa das matanças de cristãos ordenadas pelo Imperador Diocleciano. Depois da morte veio morar na Lua.
— E sabe que é hoje o patrono da Inglaterra? — lembrou Narizinho. — Vovó diz que o senhor é o santo mais graúdo de todos, porque dá o nome a muitas ordens de cavalaria e tem aparecido até em moedas de ouro.
São Jorge não sabia nada daquilo, nem sequer que era santo, porque só depois de sua morte é que começou a virar tanta coisa. Também não sabia o que era ser "patrono da Inglaterra", nem o que significava isto de "ordens de cavalaria". Os meninos tiveram de dar-lhe uma liçao de tudo.
— Mas não posso compreender donde vem a minha importância, o meu "graudismo" ... — declarou ele com toda a modéstia, pensativamente.
— Eu sei! — berrou Emília. — E por causa do dragão e dessa tremenda e bonita armadura de guerreiro. Santos de camisolão e porretinho podem ser muito milagrosos, mas não impressionam. Diga-me uma coisa: onde é que descobriu esse dragão?
O santo contou que era um monstro que ele havia matado certa vez em que o encontrou prestes a devorar a filha do rei da Líbia.
Mas se o matou, como é que o dragão está vivinho aqui?
Mistérios deste mundo de mistérios, gentil bonequinha. Eu também fui morto e no entanto todos lá da Terra (segundo vocês dizem) me veem aqui nesta Lua, a cavalo, de lança erguida contra o dragão. Mistérios deste mundo de mistérios.
(Monteiro Lobato, Viagem ao Céu, trecho do Capítulo VII, "Coisas da Lua". Na infância e pré-adolescência, o editor deste blog foi leitor contumaz do genial Lobato.)

Grafite no elevado que dá acesso ao Túnel Rebouças na Lagoa
Dia de São Jorge na Praça da República (Centro) e em Quintino em 2010. Fotos do editor do blog.



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