ANTÔNIO TORRES E SEU QUERIDO CANIBAL, de CYRO DE MATTOS



Antes da chegada do branco europeu por aqui, os nativos eram os donos desse Brasil imenso. Exerciam um ritual próprio de vida, que aprenderam dos antepassados. Viviam na tribo, cercados pela natureza intacta. Viviam em liberdade na Baía de Guanabara ou em qualquer praia do Rio de Janeiro, no século XVI, como de resto no vasto território brasileiro. Na paisagem natural da Baía de Guanabara, as mulheres banhavam-se no rio Carioca, preparavam uma bebida com o milho ou a mandioca, o cauim, que a tribo apreciava. Como os donos da terra e das águas, caçavam e pescavam. Viviam em comunhão com a natureza, daí serem vistos no início pelo branco invasor como o modelo do bom homem em seu estado selvagem.

Em outro momento foram observados como objeto de dupla finalidade da colonização europeia. O europeu colonizador queria tirar proveito econômico do estado selvagem do índio, aproveitando-o como mão de obra gratuita e necessária, enquanto a catequese desejava fazê-lo como o novo habitante do reino cristão, libertando-o do paganismo. O índio servia assim como elemento de observação por gente que vinha de mares nunca antes navegados e de crítica no campo literário.

Na sua famosa Carta de Achamento, o escrivão Pero Vaz Caminha inicia toda a série de crônicas e de literatura descritiva, tendo como abordagem um Brasil nascente em estado primitivo. Esse primeiro encontro através do escrivão luso e os nativos informa sobre uma gente de boa aparência, mansa e atraente na sua pureza para a conversão. Ao escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral, seguiram-se outros cronistas tratando do assunto com material mais amplo, e, entre eles, Gabriel Soares de Sousa, Pero de Magalhães Gandavo, Pero Lopes de Sousa e Hans Staden.
          
          O tema do índio em Meu querido canibal (2000), de Antonio Torres, tem novo significado e representatividade romanesca na literatura brasileira. Se bem que em outro contexto, o texto que resulta deste romancista consagrado, moderno, de técnica modelar, pende para o herói derrotado, e, nessa constatação, em que impera a linguagem acessível para delinear a crônica no espaço do descaso histórico com o drama e a tragédia dos nativos, mostra o índio como uma criatura sem saída em sua heróica atitude guerreira, transformadora de sua comunhão com a natureza. Opera como um dos elementos de uma nova concepção de civilização, que resiste ao conquistador, mas que termina por ser exterminado.

          Em José de Alencar, as qualidades do nosso primeiro habitante são idealizadas e executadas como compensação. Elege-se a exaltação romântica das virtudes individuais e sociais, os sentimentos de orgulho, lealdade, amor à liberdade, valentia, que o transformam no herói nacional, moldado assim com caracteres próprios, distantes das adaptações europeias.

          Com Adonias Filho, o assunto lembra até certo ponto o índio de José de Alencar no que diz respeito ao tratamento digno que lhe é conferido, embora as visões sobre o mesmo tema se afastem no plano da elaboração e execução ficcionais do mundo porque nascidas em épocas diferentes, contextos distantes, ajustando-se cada uma delas às suas peculiaridades e metas. No indianismo adoniano, o herói trágico mostra-se na trama vinculada à selva, na infância da região cacaueira baiana, penetrada por forças obsessivas do destino, como elemento da ação ou que impulsiona o episódio. As determinantes coincidentes do naturalismo situam esse herói à maneira de um percurso imutável, em que o trágico fixa suas garras de horror e infortúnio, tendo como proposta final a catarse, que chega impregnada do alívio. Ou encontra saída na ressurreição, naquela dimensão que não é desta vida.

          Em Antonio Torres, a personalidade do índio Cunhambepe se faz conhecer através de própria conduta marcada no gesto primitivo, entre a naturalidade da existência e a oposição ante o invasor europeu. Os nativos são vistos pelo autor através de observações sensatas, pesquisa ampla nos estudiosos do assunto, em documentos, revistas e jornais. A essência dessa personalidade do nativo chega de zonas críticas, que se vai formando nas lembranças do rito, rastros da desgraça, nas vozes do embuste e da farsa histórica, na repercussão do som e da fúria, que, vinda do passado, está como vestígios no presente.

Desde a estreia em 1972, com o romance Um cão uivando para a Lua, o baiano Antônio Torres chamou a atenção da crítica e leitores do melhor ambiente literário como um romancista que chegava para ficar com destaque no corpo das letras brasileiras contemporâneas. O consagrado romancista, que nasceu no povoado do Junco, atual município de Sátiro Dias, na Bahia, no início foi jornalista em São Paulo. Ao longo de sua carreira literária, produziu, entre outros, os romances Os homens dos pés redondos ( 1973), Essa Terra (1976), Balada da infância perdida ( 1986), Um táxi para Viena d’Áustria (1991), O cachorro e o lobo (1997) e Meu querido canibal ((2000).

          Seus livros têm frequentes reedições. Um deles, Meu querido canibal , já alcança a décima segunda edição. Nestes tempos velozes da tecnologia, apetência constante dos meios eletrônicos, primazia da imagem visual, em que se propala que o romance impresso tem seus dias contados, o caso de Antonio Torres desdiz a afirmativa das posições unilaterais, precipitadas. É o testemunho de que não é bem assim. Muda-se o suporte do livro, mas o romance impresso, de boas qualidades literárias, visibilidade, densidade, rapidez, como quer Italo Calvino, precisão no que pretende dizer, linguagem acessível, sem ser vulgar, conteúdo rico, imaginário esplêndido, continua vivo.

          Em Meu querido canibal, numa sacada inteligente, Antonio Torres reinventa-se em escritor-cronista moderno para, de peito aberto, como um neorromântico, mostrar-se indignado com a memória de um herói verdadeiro, perdido no tempo, “mesmo tendo demarcado um território e inscrito nele a sua legenda”. No capítulo 2, alerta que esse herói, de nome Cunhambepe, que quer dizer homem de fala mansa, era um guerreiro. Situado no tempo da pedra polida, viveu numa região paradisíaca batizada de Rio de Janeiro. Pertencia à nação tupinambá, que significa Filho do Pai Supremo, povo de Deus, oriunda do grande tronco tupi-guarani.

          A leitura desse romance em que, desprovido do tom panfletário, gratuito e irresponsável, denuncia o extermínio do índio brasileiro, eram cerca de seis milhões quando por aqui aportou o português aventureiro, ávido de riquezas, tendo como abono os jesuítas, melhor dizendo, a espada numa mão e a cruz na outra, permite, sem esforço, considerar que Cunhambepe é o primeiro herói de um país cujos rastros terríveis vieram das pegadas truculentas de aventureiros, degredados, traficantes, corsários, contrabandistas e corruptos.

          Fácil perceber que a história de Cunhambepe não é do edênico bom selvagem, dono das selvas e das águas, dos sonhos advindos da natureza em estado puro, vivendo nu como quando se vem ao mundo, na era da pedra lascada, contemplando-a e tentando adivinhá-la nos seus profundos e assombrosos mistérios. Não é a do herói dos brancos e traidor dos índios. É a de quem estava do lado de seu povo, levando-o a lutar até o último gemido, porque era melhor sucumbir do que ser submisso ao invasor escravagista. Nisso residia o sentido de quem estava numa guerra estupidamente desigual, entre o canhão avassalador do branco europeu e a flecha banida da taba para rolar na mancha das águas, que envergonha. .

          Com sua biografia restrita a referências mínimas, sua história reduzida a poucas linhas, mesmo assim entregue ao sabor das traças, esse querido canibal herói encontra em Antonio Torres uma reconstituição brava e eficaz resultante da motivação digna do imaginário e da transpiração eficiente na escrita comprometida com a verdade. Colhida e corrigida esta em estudiosos do assunto, tantas vezes equivocados, quando dotados de preconceito e superficialidade omitem a figura nativa na galeria dos heróis autênticos da história desse país, porque em conluio com o embuste no tratamento oficial do tema.

          Adorável canibal, esse guerreiro, herói verdadeiro, encontrado por Antonio Torres para o bem da literatura brasileira, retirado da nebulosa de nossa história com traços firmes na escrita ágil e atraente.

REFERÊNCIAS

TORRES, Antônio. Meu querido canibal, Editora Record, Rio, 2016.
ALMEIDA, José Maurício de. A tradição regionalista no romance brasileiro. Editora Achiamé, Rio de janeiro, 1981.
CÂNDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1964, segundo volume.
MATTOS, Cyro de. As criações de Adonias Filho, Publicações da Academia Brasileira de Letras, Rio, 2017.
SODRÉ, Nelson Werneck. História da literatura brasileira. José Olympio Editora, Rio, 1960.

*Cyro de Mattos é contista, poeta, cronista, ensaísta, romancista, organizador de antologia, autor de livros para crianças e jovens. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha e Dinamarca. Conquistou o Prêmio Internacional de Literatura Maestrale Marengo d’Oro, em Gênova, Itália, o Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, Associação Paulista de Críticos de Arte com “O Menino Camelô”, infantil, e o Prêmio Nacional Pen Clube do Brasil com o romance “Os Ventos Gemedores.

LITERATURA DE VIAGEM: PAUL THEROUX


Hoje vou abordar a literatura de viagem, um gênero literário que, segundo a Wikipedia, consiste geralmente em uma narrativa acerca das experiências, descobertas e reflexões de um viajante durante seu percurso. Eu mesmo gosto de escrever diários de viagem que você pode ler neste blog. Clique em viagens no menu do cabeçalho. O vídeo acima contém este mesmo texto, portanto em vez de ler você pode ouvir (ou fazer as duas coisas).

Talvez o maior autor de literatura de viagem do século XX e início do XXI seja Paul Theroux. Nascido nos Estados Unidos em 1941, desde jovem Theroux fez longas viagens solitárias que se transformaram em fascinantes livros. Atravessou a África, circundou o Mediterrâneo, percorreu a Ásia etc. Muito conhecido nos países anglo-saxônicos, no Brasil já não desfruta da mesma fama, mas teve alguns livros traduzidos aqui: O grande bazar ferroviário, Viajando de trem através da China, Até o fim do mundo, O safári da estrela negra, Trem fantasma para a estrela do Oriente e O Último Trem para a Zona Verde, este último traduzido por mim. Em um outro livro que também traduzi, O Tao da viagem, mas ainda não lançado, escreve Theroux:

Quando criança, sonhando em sair de casa e ir bem distante, a imagem em minha mente era de fuga — meu pequeno eu partindo sozinho. A palavra "viagem" não me ocorria, tampouco a palavra "transformação", que era meu desejo velado mas duradouro. Eu desejava encontrar um novo eu num lugar distante, e coisas novas por que me interessar. A importância de outros lugares era algo em que eu acreditava piamente. O outro lugar era onde eu queria estar. Jovem demais para ir, eu lia sobre outros lugares, imaginando minha liberdade. Os livros eram a minha estrada. E depois, quando cheguei à idade de ir, as estradas que percorri tornaram-se o tema obsessivo de meus próprios livros.

As narrativas de viagens são as mais antigas do mundo, as histórias que os viandantes contam às pessoas reunidas ao redor da fogueira após seu retorno de uma viagem. “Eis o que vi” — notícias do mundo maior; o bizarro, o estranho, o chocante, narrativas sobre animais ou sobre outras pessoas. “Eles são exatamente como nós!” ou “Eles não são nada parecidos conosco!” A história de um viajante possui sempre a natureza de uma reportagem. E é a origem da ficção narrativa também, o viajante animando um grupo modorrento com detalhes inventados, floreando a experiência. Foi como o primeiro romance em inglês foi escrito. Daniel Defoe baseou Robinson Crusoe na experiência real do náufrago Alexander Selkirk, embora aumentasse a história, transformando os 4,5 anos de Selkirk numa ilha remota do Pacífico em 28 anos numa ilha do Caribe, acrescentando Sexta-Feira, o canibal e o exotismo tropical.

Também Moby Dick foi baseado num naufrágio real, como a gente viu recentemente no filme No Coração do Mar.


Um dos livros mais fascinantes do Theroux é The Pillars of Hercules, os Pilares de Hércules, que é o nome que se dava na antiguidade ao Estreito de Gibraltar. É o relato de um grande tour pelo Mediterrâneo, percorrendo o sul da Europa, Oriente Médio e norte da África. Aqui está o mapa.


Uma passagem marcante do livro é quando ele aborda as touradas espanholas. Qualquer pessoa com certa sensibilidade acha as touradas, assim como as brigas de galos, uma covardia contra os animais, uma agressão, mas na Espanha constituem uma tradição cultural. A descrição que Theroux faz de uma tourada em The Pillars of Hercules não é nada lisonjeira: 

Não há nada nas touradas exceto sangue – a previsão de sangue, o derramamento de sangue, e a morte brutalmente coreografada de um animal enfurecido que apenas um minuto atrás estava pinoteando e bufando cheio de vida.

Em 1973 Theroux fez uma grande viagem de trem pelo Leste europeu e Ásia, relatada em O grande bazar ferroviárioNaquela época Theroux tinha 33 anos. Este livro ainda não li, está na tal lista que seu eu chegar aos 120 anos espero cumprir. Depois daquela jornada, muita coisa mudou: a União Soviética entrou em colapso, as economias da China e Índia cresceram. Pois aos 66 anos, com o dobro da idade, Theroux repetiu o mesmo trajeto, resultando daí o Trem fantasma para a estrela do Oriente. Eu me senti viajando junto com o Theroux quando li este livro. Criei um verbete para ele na Wikipedia onde destaco as passagens mais interessantes. Vocês podem consultar.


Por exemplo:
Sobre a Romênia “O fedor e a desordem do Terceiro Mundo eram muito presentes em Bucareste. Os subúrbios pareciam deteriorados, as fazendas primitivas e enlameadas. A Romênia era mais um país de onde as pessoas fugiam, rumando sempre para o oeste.”

Turquia “Dizer que a cidade (Istambul) é linda chega a ser frívolo de tão óbvio, mas a vista das mesquitas e igrejas faz o coração disparar.” “Muito tempo atrás a Turquia parecia um país distante e exótico de homens carrancudos e mulheres enigmáticas, com telefones precários e estradas estreitas, dotado de uma cultura dramática, conflituosa. Agora tinha de tudo, fazia parte do mundo visível [...]”

Índia “Bem-vindo à Índia e à comprovação de que, como Borges escreveu certa vez, ‘a Índia é maior do que o mundo’.” “Num mundo em constante mudança, a Índia é excepcional. Todos comentam o grande salto indiano, a modernidade indiana, os milionários indianos. [...] Contudo, o país continuava existindo a seu modo desengonçado, com os defeitos e as precariedades à mostra, e o que parecia ser caos na Índia era na verdade um tipo de ordem, como o movimento furioso dos átomos.”

E assim vai. Fascinante, não acham?

Com mais de setenta anos, Theroux faz sua última viagem africana, da qual resulta O Último Trem para a Zona Verde, que eu traduzi. Sobre este livro só vou falar uma coisa: LEIAM. É duplamente bom: bem escrito e bem traduzido. Boa viagem.


A verdade sobre GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de GUIMARÃES ROSA


Grande Sertão: Veredas é uma “vaca sagrada” da literatura brasileira. Não gostar dessa obra do Rosa é o suprassumo do “culturalmente incorreto”. O máximo que você pode dizer é que não está à altura do livro, não está preparado ainda para ler o livro. O defeito não é do livro, é teu.

O livro tem qualidades enormes que não vou declinar aqui porque já o foram sobejamente. Mas tem defeitos também. Quer saber a verdade sobre Grande Sertão: Veredas? Então me acompanhe.

1) Vê-se  de tudo em Grande Sertão: Veredas, uma Ilíada brasileira, um pacto faustiano sertanejo, uma regressão à língua primordial pré-Babel, menos o que a obra realmente é: uma grande “guerra de quadrilhas” ou, mais exatamente, guerra entre bandos de jagunços que percorrem os sertões das “Gerais” meio que sem destino com sede de luta e vingança. “O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz?” (pág. 275 da 37. edição, da foto abaixo) “Sertão é o penal, criminal. Sertão é onde o homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada.” (pág. 92) Em meio a toda essa violência desenfreada tropas do governo também metem a colher. Só que guerra de quadrilha urbana tem um objetivo: conquistar território para vender drogas para ganhar dinheiro. E essa guerra sem fim dos jagunços aparentemente não tem objetivo concreto, ou se tem Rosa não deixa claro qual seja: é a guerra pela guerra, as eternas vendetas.


2) Os personagens que travam essa guerra, por mais pitorescos que se afigurem na criação artística de Rosa, são maus: matam com prazer, estupram, invadem cidades e saqueiam o comércio, numa das cenas mais revoltantes massacram cavalos só de maldade, tem cena de antropofagia (“o corpudo não era bugio não, não achavam o rabo. Era homem humano” - pág. 43), é gente com culpa no cartório. “Jagunço – criatura paga para crimes, impondo o sofrer no quieto arruado dos outros, matando e roupilhando” (pág. 191)

São todos maus, menos o protagonista/narrador. “Eu Riobaldo, jagunço, homem de matar e morrer com a minha valentia.” (pág. 174) Esse é o protótipo de um arquétipo da literatura: o bom bandido. O bandido filósofo, porque está preocupado com a questão da existência de Deus e do diabo (como se a existência de Deus e do diabo fosse a suprema questão filosófica). O bandido poeta (o discurso de Riobaldo tem, sim, poeticidade). O jagunço que entrou na jagunçagem não por ser ruim, mas pela força de um destino de tragédia grega (ἀνάγκη) que o empurrou para a “vida de jagunço”. “Por que será que eu precisava de ir por adiante, com Diadorim e os companheiros, atrás de sorte e morte, nestes Gerais meus? Destino preso.” (pág. 171) O problema é que não existe “bandido bom” na vida real. Só na literatura e numa ciência social descolada da realidade. (Como posso ser tão tacanho a ponto de equiparar Riobaldo a um bandido? Dirão)

3) Uma das virtudes apontadas em Grande Sertão: Veredas, aliás, a virtude cardeal, que impressionou o meio intelectual da época do lançamento (segunda metade da década de 1950) e continua impressionando até hoje, é a inovação, a criatividade linguística. Segundo Alexei Bueno, “uma espécie de expressionismo linguístico onde violentas deformações da base já muito requintada que é a expressão oral do sertanejo brasileiro conseguiram atingir sínteses artísticas e emocionais espantosas”. Não que a linguagem do sertanejo (ou de outros estratos da população menos letrada) nunca tivesse sido reproduzida tal e qual. Já havia sido, em diálogos. 

Mas aqui não se trata só de diálogos entre personagens. Um narrador conta a história, da primeira (“Nonada”) à última (“Travessia”) frase, em uma linguagem supostamente de um sertanejo, livre das amarras da “norma culta”. Que não é uma linguagem de um sertanejo comum, qualquer. É a linguagem de um sertanejo idealizado, esclarecido, de pendores poéticos, inclinação filosófica, que discorre “sabiamente” sobre o bem e o mal, Deus e o diabo na terra do sol, em suma, um sertanejo criado pela imaginação fertilíssima, pela genialidade do Rosa. No fundo é a linguagem do Rosa se ele, homem urbano, diplomata, cultíssimo, fosse viver no meio sertanejo! Rosa é louvado por ter revolucionado a língua. Revolucionou mesmo? A língua falada pelos brasileiros mudou em decorrência da obra do Rosa? Por outro lado, se alguém escrever um livro inteiro em miguxês/internetês, que é o calão dos internautas, ou em gíria de traficante de morro carioca, tá ligado?, será louvado por ter revolucionado a língua? E uma língua com séculos de tradição literária carece de ser revolucionada? Não basta que evolua naturalmente?

4) A linguagem de Riobaldo, narrador de Grande Sertão: Veredas, soa estranha para quem abre o livro pela primeira vez, mas se você se esforçar e ultrapassar certo número de páginas, acaba se acostumando: é o que dizem. Como se acostuma com a sintaxe & pontuação esdrúxula do Saramago. Pois vou confessar uma coisa. No momento em que escrevo estas linhas já ultrapassei a página 300 e ainda não me acostumei com a linguagem. Digo mais: já enjoei dessa linguagem, tipo enjoo que se tem em navio depois de vários dias em alto-mar. É assaz frustrante ler uma obra em que, vira e mexe, você depara com construções léxicas que parecem não fazer sentido e onde as palavras que você porventura não entende (porque você não tem na cabeça todas as centenas de milhares de palavras da língua portuguesa) não constam necessariamente do dicionário. Querem exemplos?

Agora, advai que aquietavam, no estatuto. Nanja, o senhor, nessa sossegação, que se fie! O que fosse, eles podiam referver em imediatidade, o banguelê, num zunir: que vespassem. (pág. 227)

Assim que, inimigo, persistia só inimigo, surunganga; mas enxuto e comparado, contra-homem sem o desleixo de si. (pág. 317)

“É, eu vou com o senhor, e esse urucuiano Salústio vem comigo, mas é na hora da situação... Aí, na hora horinha, estou junto perto, para ver. A para ver como é, que será vai ser... O que será vai ser ou vai não ser...” (pág. 306)

Os fatos passados obedecem à gente; os em vir, também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece igual – e é o que é. Isso já aprendi. (pág. 301)

Vou ainda mais longe: há momentos em que o narrador parece estar delirando. Senão vejamos.

Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente – o que produz os ventos. (pág. 272)

5) E a fidedignidade histórica? Essas guerras de jagunços sem nenhum motivo aparente ocorreram realmente em Minas/Goiás? Sei que houve cangaço no Nordeste, sei que latifundiários praticaram (ou até ainda praticam) grilagem de terras e até lançaram ou lançam mão de jagunços para se apropriar de terrenos alheios, mas guerras entre bandos de jagunços tipo guerras feudais medievais sem qualquer objetivo ocorreram em Minas Gerais? (Aqui espero o socorro dos historiadores mineiros.) Aliás, Alexei Bueno, em seu ensaio “Ribeiro, Rego, Rosa e Rocha: Afinidades Eletivas” confirma essa minha sensação de irrealidade ao escrever que em Grande Sertão: Vereda sente-se uma organização social e militar muito mais próxima do que conhecemos como cangaço, pela independência, sobretudo, dos seus membros, do que de qualquer jaguncismo histórico daquele mais sonhado do que real norte de Minas”.

6) Grande Sertão: Veredas não é a maior saga da literatura brasileira do século XX. Quem detém o laurel, em minha modesta opinião, é O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo, que conta, romanceadamente, a história da formação do Rio Grande do Sul, desde os primórdios até a era getuliana, com as rixas entre as famílias poderosas proprietárias das terras, reconstituição dos gauchismos mas... sem "revolucionar a língua", digamos assim.
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Na época do lançamento, Grande Sertão: Veredas foi recebido com estupor, diferente de tudo que se escrevera antes. Reconheceram os críticos as virtudes, mas também as dificuldades de compreensão da monumental obra (e um dos críticos chegou a aludir aos “exageros” do estilo roseano). 

Assim, diz Maria Eugenia Celso,  no Jornal do Brasil de 28/7/1956:

O que acho mais extraordinário em “Grande Sertão: Veredas”, o novo romance de Guimarães Rosa, é que, assim tão terrivelmente sertanejo no linguajar, no ambiente e na trama passional dos episódios, tenha sido escrito aqui por um diplomata num meio supercivilizado, para o qual aquela maneira de falar não pode deixar de ser um tanto charadística. Verdadeiro “tour de force”, a meu ver.

Escreve Manuel Bandeira em “Livros a Mancheias” no JB de 12 de agosto daquele mesmo ano:

Guimarães Rosa ouvi dizer que inventou uma língua nova, que não é nem a portuguesa, nem a brasileira, nem a de Mário de Andrade.

Em mesa redonda sobre Rosa publicada no JB de 2 de setembro afirmou Sérgio Milliet:

Mas com “Grande Sertão: Veredas” temos o grito de independência de nossa literatura. Depois deste livro será preciso reescrever a gramática do português do Brasil. [...] “Grande Sertão: Veredas” é sem dúvida alguma, o nosso grande acontecimento literário e linguístico do século. Está para a possível língua brasileira como a poesia de Villon ao findar a Idade Média.

Benedito Nunes, em “Primeira Notícia sobre Grande Sertão: Veredas”, no JB de 10/2/1957, escreve:

Grande Sertão: Veredas” ultrapassa o âmbito regional. No drama do sertanejo ou do jagunço, irrompem os grandes problemas humanos – seja a luta do homem contra a natureza que o estimula e o abate ao mesmo tempo, seja o ímpeto do jagunço que se põe em armas para defender uma causa indefinível, adota a lei da guerra menos pela rudeza de seu espírito do que pela necessidade de viver e de realizar o seu destino.

Aliás, trata-se do único crítico que ousa apontar as deficiências do estilo do autor:

Os trechos onde a linguagem decai, perdendo a sua eficiência expressiva, revelam os defeitos da técnica que o romancista preferiu adotar para ser fiel às situações vividas pelo personagem. Alguns desses defeitos são cacoetes estilísticos decorrentes do uso, tantas vezes abusivo das desarticulações sintáticas, contrações e elipses que, praticadas mecanicamente, não possuem mais valor expressivo. 

Josué Montello, em aula inaugural do Curso de Literatura proferida em 28 de março de 1957 na Faculdade de Letras de Lisboa, considerou Grande Sertão: Veredas “a mais arrojada aventura da nova ficção brasileira. Guimarães Rosa é um renovador da língua como Aquilino Ribeiro.”

Múcio Leão (JB, 1/5/1957) reconhece que a linguagem de Grande Sertão: Veredas é dificílima, “uma espécie de língua nova, inaceitável à maioria dos leitores, senão a todos eles. Eu mesmo, que terminei por achar uma pura delícia esse Grande Sertão: Veredas, tive muita dificuldade para conseguir lê-lo. [...] Resolvi lê-lo mais ou menos como se fosse um livro escrito em outra língua, uma língua aproximada desta que falo.”
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Em suma, “o sertão é do tamanho do mundo” (pág. 60), e Grande Sertão: Veredas é um clássico, um monumento da nossa literatura, inovador, impressionante, de tirar o fôlego, uma das três epopeias da língua portuguesa (as outras, Os Lusíadas e Os Sertões), segundo meu amigo Alexei, tudo isso admito, mas... não há nada de errado em você, nem você precisa ficar com sentimento de culpa, caso não goste do livro de Guimarães Rosa. Afinal, gosto se discute!

DOIS CRAQUES GRAPIÚNAS* NA ELITE DO FUTEBOL BRASILEIRO de CYRO DE MATTOS**


América - Campeão Mineiro - 1948. Em pé : Humaitá , Lazzarotti, Esteves, Aldo Gaia, Lusitano. Agachados: Valinho, Nandinho, Fernando, Celso, Murilinho

Refiro-me a Nandinho e Tuta, dois jogadores grapiúnas que brilharam na elite do futebol brasileiro, na época do pré-estádio do Maracanã. Os jogos mais importantes no Rio eram realizados até então em São Januário, o maior estádio de futebol carioca. O futebol nacional vivia a transição do amadorismo para o profissional.

O jogador Nandinho atuou no Flamengo, formando com Zizinho e Pirilo o célebre trio do primeiro tricampeonato do rubro-negro carioca. No entanto, deu seus primeiros passos no caminho do futebol jogando pelada no campo das pastagens de Berilo Guimarães, em Itabuna. Foi para Salvador e ingressou no time juvenil do Bahia onde mais tarde faria parte da equipe profissional. Sagrou-se campeão no time profissional do tricolor baiano em 1940. Quando retornava a Itabuna, treinava para manter a forma no Campo da Desportiva. Do Bahia transferiu-se para o Flamengo. Depois de passagem destacada no rubro-negro carioca foi jogar no América mineiro onde se sagrou campeão e se tornou ídolo em várias temporadas.

O jogador Tuta veio de Uruçuca, antiga Água Preta. Atuou no futebol de Ilhéus e de Itabuna, onde vestiu a camisa da Associação, poderoso time que dominou o futebol amador do Sul da Bahia na década de 40. Foi jogar em Salvador no Bahia e, no tricolor baiano, sagrou-se também campeão. De lá chegou ao Vasco da Gama, na época em que o esquadrão de São Januário formou um dos times mais importante de sua história, conhecido como Expresso da Vitória. Nessa equipe lendária, jogavam Barbosa, Augusto, Ely, Danilo, Friaça, Ademir Menezes e Chico, que foram servir à Seleção Brasileira de 1950, vice-campeã mundial.

Vasco da Gama – Torneio dos Campeões – Minas Gerais - 1948. Em pé: Rafanelli, Barbosa, Augusto, Ely, Jorge e Danilo; Agachados: Djalma, Maneca, Friaça, Tuta, Chico e o massagista Mário Américo.

Importa lembrar que o grande derby do futebol mineiro era América e Atlético até meados de 1960. O Cruzeiro ainda não havia surgido como uma potência do futebol brasileiro, com aquele famoso time integrado pelo goleiro Raul, os craques Tostão e Dirceu Lopes, Natal, Zé Carlos e Euvaldo. O América chegou a se sagrar dez vezes campeão na época que o seu grande rival era o Atlético.

Para comemorar a reinauguração do Estádio da Alameda, modernizado e ampliado em março de 1948, de cinco mil para 15 mil espectadores, o América promoveu um torneio quadrangular, que ficou conhecido como o Torneio dos Campeões. A disputa reuniu os campeões estaduais de Rio de Janeiro (Vasco), de São Paulo, representado pelo São Paulo, Minas Gerais pelo Atlético, campeão dois anos antes, além do anfitrião América, que se sagrou campeão do torneio e de Minas Gerais, no final daquele ano.

Nandinho fez parte do esquadrão do América, campeão mineiro em 1948, que tinha como técnico o polêmico Yustrich. Já Tuta jogou no Vasco da Gama, que tinha como técnico Flávio Costa, no Torneio dos Campeões , realizado naquele mesmo ano em Belo Horizonte.

Enquanto isso, em 1949 o time do Arsenal, o mais popular da Inglaterra, fez uma excursão ao Brasil onde em São Paulo enfrentou o Corinthians, derrotando-o, e o Palmeira, que conseguiu um empate a duras penas. Restava enfrentar o Vasco e o Flamengo no São Januário, o gigante da colina. Na noite de 25 de maio de 1949, uma quarta-feira, São Januário recebeu o maior público de sua história, no amistoso entre o Vasco e o Arsenal.

A excursão do time britânico era cercada de grande expectativa. Havia uma mística, que corria no tempo, alardeando que o time britânico era o melhor do mundo, e os próprios ingleses julgavam-se  os donos do futebol, pois foram eles os inventores desse esporte. Por tudo isso, a partida entre Vasco e Arsenal foi cercada de um interesse enorme, adquirindo até um sabor de decisão de mundial de clubes, uma vez que, no ano anterior, o Vasco havia conquistado o título de campeão sul-americano  invicto, no torneio realizado no Chile. Para enfrentar o time da Inglaterra, o Vasco (foto abaixo) entrou em campo com uma das formações mais fortes da sua história, saindo vencedor da partida por um a zero, gol de Nestor aos 33 minutos do segundo tempo. E o baiano grapiúna Tuta participou desse time lendário do gigante da colina.

Time do Vasco da Gama que Derrotou o Arsenal em 1949. Em pé, Eli, Augusto, Jorge, Danilo, Barbosa e Sampaio; agachados, Mário Américo (massagista), Nestor, Maneca, Ademir, Ipojucan e Tuta.

*Grapiúna é o nascido no Sul da Bahia, na época da conquista da terra e do povoamento. E o que se identifica com uma civilização singular forjada pela lavoura do cacau, ao longo dos anos.

** Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Membro efetivo do Pen Clube do Brasil e Academia de Letras da Bahia. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Tem livro publicado em Portugal, Itália, França, Alemanha e Espanha. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia)

QUAIS AS MAIORES ECONOMIAS DO MUNDO?


Classicamente o indicador que reflete o tamanho das economias dos países é o produto interno bruto (PIB), gross domestic product (GDP) em inglês. Aqui está a lista de países do mundo por PIB em ordem decrescente, em 2016, segundo dados do Banco Mundial


País
PIB em 2016 (milhões de dólares)
1. Estados Unidos
18.624.475,00
2. China
11.199.145,16
3. Japão
4.940.158,78
4. Alemanha
3.477.796,27
5. Reino Unido
2.647.898,65
6. França
2.465.453,98
7. Índia
2.263.792,50
8.Itália
1.858.913,16
9. Brasil
1.796.186,59
10. Canadá
1.529.760,49
11. Coreia do Sul
1.411.245,59
12. Federação Russa
1.283.162,99
13. Espanha
1.237.255,02
14. Austrália
1.204.616,44
15. México
1.046.922,70
16. Indonésia
932.259,18
17. Peru
863.711,71
18. Países Baixos
777.227,54
19. Suíça
668.851,30
20. Arábia Saudita
646.438,38
21. Argentina
545.476,10
22. Suécia
514.459,97
23. Polônia
471.364,41
24. Bélgica
467.955,71
25. Irã
418.976,68
26. Tailândia
407.026,13
27. Nigéria
404.652,72
28. Áustria
390,799,99
29. Noruega
371.076,19
30. Emirados Árabes Unidos
348.743,27
31. Egito
332.791,05
32. Hong Kong (China)
320.910,17
33. Israel
317.744,78
34. Dinamarca
306.899,65
35. Filipinas
304.905,41
36. Irlanda
304.819,02
37. Cingapura
296.975,68
38. Malásia
296.535,93
39. África do Sul
295.456,19
40. Colômbia
282.462,55
41. Paquistão
278.913,37
42. Chile
247.027,91
43. Finlândia
238.502,90
44. Bangladesh
221.415,16
45. Vietnã
205.276,17
46. Portugal
204.836,60
47. República Checa
195.305,08
48. Grécia
192.690,81
49. Peru
192.207,34
50. Romênia
187.592,04
51. Nova Zelândia
184.969,15
52. Iraque
171.489,00
53. Argélia
159.049,10
54. Catar
152.451,92
55. Cazaquistão
137.278,32
56. Hungria
125.816,64
57. Kuwait
110.875,58
58. Marrocos
103.606,32
59. Equador
98.613,97
60. Sudão
95.584,38
61. Angola
95.335,11
62. Ucrânia
93.270,48
63. República Eslovaca
89.768,60
64. Sri Lanka
81.321,88
65. Etiópia
72.374,22
66. República Dominicana
71.583,55
67. Quênia
70.529,01
68. Guatemala
68.763,26
69. Uzbequistão
67.220,34
70. Omã
66.293,37
71. Myanmar
63.225,10
72. Luxemburgo
58.631,32
73. Costa Rica
57.435,51
74. Panamá
55.187,70
75. Bulgária
53.237,88
76. Uruguai
52.419,72
77. Croácia
50.714,96
78. Líbano
49.598,83
79. Bielorrússia
47.407,22
80. Tanzânia
47.340,07
81. Macau (China)
45.310,88
82. Eslovênia
44.708,60
83. Lituânia
42.738,88
84. Gana
42.689,78
85. Tunísia
42.062,55
86. Jordânia
38.654,73
87. Sérvia
38.299,85
88. Azerbaijão
37.847,72
89. Costa do Marfim
36.372,61
90. Turquemenistão
36.179,89
91. Bolívia
33.806,40
92. Camarões
32.217,50
93. Bahrain
32.179,07
94. República Democrática do Congo
31.930,86
95. Letônia
27.572,70
96. Paraguai
27.424,07
97. Iêmen
27.317,61
98. El Salvador
26.797,47
99. Uganda
24.078,93
100. Estônia
23.337,91
101. Trinidad e Tobago
21.894,71
102. Honduras
21.516,94
103. Nepal
21.131,98
104. Zâmbia
21.063,99
105. Papua Nova Guiné
20.213,21
106. Islândia
20.047,41
107. Chipre
20.047,01
108. Camboja
20.016,75
109. Afeganistão
19.469,02
110. Bósnia e Herzegovina
16.910,28
111. Zimbábue
16.619,96
112. Laos 
15.805,71
113. Botsuana
15.581,14
114. Senegal
14.683,70
115. Geórgia
14.378,02
116. Gabão
14.213,56
117. Jamaica
14.056,91
118. Mali
14.034,98
119. Cisjordânia e Gaza
13.397,10
120. Nicarágua
13.230,84
121. Maurício
12.168,44
122. Albânia
11.863,87
123. Burkina Faso
11.693,24
124. Brunei
11.400,65
125. Bahamas
11.261,80
126. Mongólia
11.183,46
127. Moçambique
11.014,86
128. Malta
10.999,05
129. Namíbia
10.947,88
130. Macedônia
10.899,58
131. Guiné Equatorial
10.684,80
132. Armênia
10.572,30
133. Madagáscar
10.001,19
134. Chade
9.600,76
135. Benin
8.583,03
136. Ruanda
8.376,05
137. Guiné
8.200,25
138. Haiti
8.022,64
139. Congo. Rep .
7.833,51
140. Tajiquistão
6.951,66
141. Moldávia
6.749,52
142. Kosovo
6.649,89
143. Quirguistão
6.551,29
144. Somália
6.217,00
145. Guam
5.793,00
146. Malawi
5.433,04
147. Mauritânia
4.739,30
148. Fiji
4.703,63
149. Barbados
4.529,05
150. Togo
4.400,00
151. Montenegro
4.374,13
152. Maldivas
4.224,21
153. Serra Leoa
3.736,59
154. Suazilândia
3.720,65
155. Guiana
3.502,40
156. Suriname
3.278,43
157. Burundi
3,007,03
158. Andorra
2.858,52
159. Lesoto
2.291,32
160. Butão
2.212,64
161. Libéria
2.101,00
162. Timor-Leste
1.778,97
164. República Centro-Africana
1.756,12
165. Belize
1.741,10
166. Santa Lúcia
1.667,08
167. Cabo Verde
1.617,47
168. San Marino
1.590,71
169. Antígua e Barbuda
1.460,14
170. Seychelles
1.427,32
171. Ilhas Marianas do Norte
1.242,00
172. Ilhas Salomão
1.202,13
173. Guiné-Bissau
1.164,94
174. Granada
1.056,19
175. Gâmbia
964,60
176. St. Kitts e Nevis
909,85
177. Samoa
786,36
178. Vanuatu
773,50
179. São Vicente e Granadinas
768,22
180. Samoa Americana
658,00
181. Comores
616,65
182. Dominica
581,48
183. Tonga
401,56
184. São Tomé e Príncipe
342,78
185. Micronésia. Fed, Sts
329,90
186. Palau
310,25
187. Ilhas Marshall
194,50
188. Kiribati
181,55
189. Nauru
102,06
190. Tuvalu
34,22



Ficaram de fora da tabela por falta de dados do PIB: Bermudas, Coréia do Norte, Cuba, Curaçao, Djibouti, Eritreia, Gibraltar, Groenlândia, Ilha de Man, Ilhas Cayman, Ilhas do Canal, Ilhas Faroe, Ilhas Turks e Caicos, Ilhas Virgens (EUA), Ilhas Virgens Britânicas, Líbia, Liechtenstein, Mônaco, Níger, Nova Caledônia, Polinésia Francesa, Porto Rico, República Árabe da Síria, Sint Maarten (parte holandesa), St Martin (parte francesa), Sudão do Sul, Venezuela

Mas se você dividir o produto interno bruto de um país pelo número de habitantes, obtendo assim a renda per capita (por cabeça), ocorre uma reviravolta: países que estavam na frente passam para trás, e vice-versa. O Brasil, a nona economia do mundo, agora está em 74. lugar, atrás da Rússia, Romênia (!) e Argentina, mas na frente de China, México e Índia. Luxemburgo, que estava em 72. lugar no ranking do PIB, agora passou para o primeiríssimo lugar! 

1 Luxemburgo
100.738,7
2 Suíça
79.887,5
3 RAE de Macau. China
74.017,2
4 Noruega
70.868,1
5 Irlanda
64.175,4
6 Islândia
59.764,7
7 Qatar
59.324,3
8 Estados Unidos
57.638,2
9 Dinamarca
53,578,8
10 Cingapura
52.962,5
11 Suécia
51.844,8
12 Austrália
49.755,3
13 San Marino
47.908,6
14 Holanda
45,637,9
15 Áustria
44.757,6
16 Hong Kong (China)
43.741,0
17 Finlândia
43.401,2
18 Canadá
42.183,3
19 Alemanha
42,161,3
20 Bélgica
41.271,5
21 Reino Unido
40.367,0
22 Nova Zelândia
39.412,2
23 Japão
38.900,6
24 Emirados Árabes Unidos
37.622,2
25 Israel
37.180,5
26 Andorra
36.988,6
27 França
36.857,1
28 Guam
35.562,6
29 Porto Rico
30.790,1
30 Itália
30,661,2
31 Bahamas
28.785,5
32 Coreia do Sul
27,538,8
33 Kuwait
27.359,2
34 Brunei
26.939,4
35 Espanha
26.616,5
36 Malta
25.145,4
37 Chipre
23,541,5
38 Bahrein
22,579,1
39 Ilhas Marianas do Norte
22.572,4
40 Eslovênia
21.650,2
41 Arábia Saudita
20.028,6
42 Portugal
19.838,0
43 República Checa
18.483,7
44 Grécia
17.890,6
45 Estônia
17.736,8
46 St. Kitts e Nevis
16.596,8
47 República Eslovaca
16.529,5
48 Trinidad e Tobago
16.040,5
49 Barbados
15.891,6
50 Uruguai
15.220,6
51 Seychelles
15.075,7
52 Omã
14.982,4
53 Lituânia
14.900,8
54 Antígua e Barbuda
14.462,2
55 Palau
14.428,1
56 Letônia
14.071,0
57 Chile
13.792,9
58 Panamá
13.680,2
59 Hungria
12.820,1
60 Argentina
12.440,3
61 Polônia
12,414,1
62 Croácia
12.149,2
63 Samoa Americana
11.834,7
64 Costa Rica
11.824,6
65 Turquia
10.862,6
66 Maldivas
9.875,3
67 Granada
9.841,8
68 Maurício
9.630,9
69 Romênia
9.522,8
70 Malásia
9.508,2
71 St, Lucia
9.364,8
72 Federação Russa
8.748,4
73 Guiné Equatorial
8.747,4
74 Brasil
8.649,9
75 Líbano
8,257,3
76 México
8.208,6
77 China
8,123,2
78 Dominica
7.906,7
79 Nauru
7.821,3
80 Cazaquistão
7,714,7
81 Bulgária
7,469,0
82 Gabão
7.179,3
83 Montenegro
7,028,9
84 São Vicente e Granadinas
7.006,6
85 Botsuana
6,924,1
86 República Dominicana
6.722,2
87 Turquemenistão
6.389,3
88 Peru
6,049,2
89 Equador
6,018,5
90 Tailândia
5.910,6
91 Suriname
5.871,4
92 Colômbia
5.805,6
93 Sérvia
5,426,2
94 África do Sul
5.274,5
95 Macedônia
5.237,1
96 Fiji
5,233,5
97 Irã
5,219,11
98 Bielorrússia
4,989,4
99 Jamaica
4.878,6
100 Bósnia e Herzegovina
4.808,4
101 Belize
4,744,7
102 Iraque
4.609,6
103 Guiana
4,529,1
104 Namíbia
4,415,0
105 El Salvador
4.223,6
106 Guatemala
4,146,7
107 Albânia
4,125
108 Jordânia
4,087,9
109 Paraguai
4,077,7
110 Samoa
4,030,0
111 Argélia
3,916,9
112 Sri Lanka
3,910,0
113 Azerbaijão
3.878,7
114 Geórgia
3,865,8
115 Tonga
3.748,6
116 Mongólia
3,694,1
117 Tunísia
3.688,6
118 Ilhas Marshall
3,665,2
119 Kosovo
3.661,4
120 Armênia
3,614,7
121 Indonésia
3.570,3
122 Egito
3,477,9
123 Angola
3.308,7
124 Micronésia
3,143,7
125 Bolívia
3,105
126 Tuvalu
3.083,6
127 Cabo Verde
2.997,8
128 Filipinas
2.951,1
129 Cisjordânia e Gaza
2.943,4
130 Marrocos
2.892,8
131 Vanuatu
2,860,6
132 Butão
2,773,5
133 Suazilândia
2,770,2
134 Papua Nova Guiné
2.500,1
135 Sudão
2.415,0
136 Honduras
2.361,2
137 Lao PDR
2.338,7
138 Ucrânia
2.185,7
139 Nigéria
2.175,7
140 Vietnã
2,170,6
141 Nicarágua
2.151,4
142 Usbequistão
2,110,7
143 Ilhas Salomão
2,005,5
144 Moldávia
1,900,2
145 São Tomé e Príncipe
1,714,7
146 Índia
1.709,6
147 Kiribati
1,587,1
148 Costa do Marfim
1,535,0
149 Congo
1,528,2
150 Gana
1,513,5
151 Quênia
1.455,4
152 Paquistão
1.443,6
153 Timor-Leste
1.405,4
154 Camarões
1.374,5
155 Bangladesh
1.358,8
156 Camboja
1.269,9
157 Zâmbia
1.269,6
158 Mianmar
1.195,5
159 Mauritânia
1,101,9
160 Quirguistão
1.077,6
161 Lesoto
1,039,7
162 Zimbábue
1,029,1
163 Iêmen
990,3
164 Senegal
952,8
165 Tanzânia
877,5
166 Tajiquistão
795,8
167 Benin
789,4
168 Mali
779,9
169 Comores
775,1
170 Haiti
739,6
171 Nepal
729,1
172 Etiópia
706,8
173 Ruanda
702,8
174 Chade
664,3
175 Guiné
661,5
176 Guiné-Bissau
641,6
177 Burkina Faso
627,1
178 Uganda
580,4
179 Togo
578,5
180 Afeganistão
561,8
181 Serra Leoa
505,2
182 Gâmbia. O
473,2
183 Libéria
455,4
184 Somália
434,2
185 República Democrática do Congo
405,5
186 Madagascar
401,7
187 República Centro-Africana
382,2
188 Moçambique
382,1


Outro indicador interessante da pujança da economia de um país é o número de empresas no ranking das 500 maiores da revista Fortune. De forma interessante, os quatro primeiros lugares em 2016 coincidem com o ranking pelo PIB, mas depois ocorrem divergências. Motivo de orgulho é o Brasil estar em décimo primeiro lugar, com sete empresas entre as maiores do mundo, empatado com a Itália, país de primeiro mundo, na frente da Rússia, superpotência mundial, da Suécia, país com elevadíssimo nível de vida, e nossa arquirrival Argentina não tem nenhuma empresa na lista!


Classificação
País
Número de empresas entre as 500 maiores da Fortune
1
Estados Unidos
132
2
China
109
3
Japão
51
4
Alemanha
29
5
França
29
6
Grã Bretanha
23
7
Coreia do Sul
15
8
Países Baixos
14

Suíça
14
9
Canadá
11
10
Espanha
9
11
Austrália
7

Brasil
7

Índia
7

Itália
7
12
Taiwan
6
13
Irlanda
4

Rússia
4
14
Cingapura
3
15
Suécia
3
16
México
2

Arábia Saudita
1

Bélgica
1

Dinamarca
1

Emirados Árabes Unidos
1

Grã-Bretanha + Holanda (Unilever)
1

Indonésia
1

Israel
1

Luxemburgo
1

Malásia
1

Noruega
1

Tailândia
1

Turquia
1

Venezuela
1

Quer saber quais são as empresas brasileiras da lista? Ei-las:

Em sua época áurea, a Petrobrás ocupou posições bem melhores. Por exemplo, em 1975, foi a 38a  maior empresa do mundo, única empresa latino-americana na lista das 50 maiores da Fortune, como lemos na página 24 de O Globo de 3 de agosto de 1976. Agora pasmem: em 2012 a Petrobrás era a 25a maior empresa do mundo, em 2013, a 28a e em 2014, idem. Ou seja, a rapinagem lulopetista realmente derrubou a empresa, não é intriga da oposição.