ALFARRÁBIOS: O GARATUJA, O ERMITÃO DA GLÓRIA & A ALMA DO LÁZARO de JOSÉ DE ALENCAR (RESUMOS)


Transcrevo abaixo os resumos que preparei da trilogia de romances históricos Alfarrábios de José de Alencar para o verbete "Alfarrábios" da Wikipedia, onde você também os encontrará. Que seja útil aos estudantes que, "obrigados" a ler obras clássicas, preferem recorrer aos resumos da Internet. Mas fica aqui meu conselho: leiam bons livros, se não os clássicos, distantes de sua realidade, ao menos os atuais, para se acostumarem a esse bom hábito porque, afinal, depois do cão, o livro é o melhor amigo do homem (como você pode ver clicando aqui), sempre à sua cabeceira (ou agora, no seu Kindle), na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.

O Garatuja

O romance transcorre na “leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro em meados do século XVIII (1659), quando a cidade sequer era capital, e tem por pano de fundo um conflito entre a Igreja (mais especificamente, o prelado Doutor Manuel de Sousa e Almada) e a administração colonial que resulta na excomunhão do ouvidor, gerando um grande "alvoroto" (alvoroço). O personagem central, Ivo do Val, é um enjeitado, “filho de criação” da “donzela recatada” Rosalina das Neves, que o teria “achado uma noite à porta da casa, onde morava então com sua família”, mas segundo as más línguas – das quais a mais ferina era da Pôncia, que gostava de “espreitar por detrás da rótula o que ia pela rua, para enredar os vizinhos e falar mal da vida alheia” – “fruto dos amores da donzela com um alferes”. Ivo recebe a alcunha de Garatuja devido à mania, como um precursor dos grafiteiros atuais, de “trocar as pernas pelas ruas de São Sebastião, e riscar toda a parede que lhe cala debaixo do carvão”.

Ivo torna-se aprendiz do pintor de casas Belmiro Crespo, onde “passava o melhor de seu tempo, a ajudar os vários misteres da pintura, no que se foi tornando perito”. Um belo dia, achando-se numa encruzilhada na área que hoje corresponde à Lapa, “apareceu-lhe em frente uma menina que vinha pelo caminho da Carioca [...] com os cabelos ao vento, e a saia rocegada por causa do orvalho”, chamada Marta. Ao vê-lo, Marta assusta-se (“-Senhora mãe, um caipora!”). Ela é filha do tabelião Sebastião Ferreira Freire, dono de cartório. Atraído pela menina (“Tudo lhe servia de pretexto para [...] fincar-se horas e horas, como um mastro de Natal, em frente à porta do tabelião”), desenha um Cupido “brincão e gentil [...] em ação de brandir uma seta, cuja ponta embebia na luz de uma estrela radiante em céu azul, para cravar um coração caído por terra”.

Rosalina, cujo sonho era ver o filho "adotivo" admitido no cartório de Sebastião, confundindo o Cupido com o Menino Jesus, decide levar a imagem a Romana Mência, “uma devota [...] perdida por tudo quanto era santo e cousa de beatice”, que era sogra do tabelião. Depois disso, Rosalina leva Ivo à casa da velha Romana, onde naquela noite rezava-se a novena. “Colocou-se o rapaz de modo que pudesse espiar o rostinho de Marta, oculto sob o capuz da mantilha.” O rapaz acaba sendo admitido no cartório. Um dia, ao escrever um edital que começava por M., inicial de Marta, enfeitou a letra com tantos “emblemas de amor” – anjinhos, flores, colibris – que foi mandado embora do cartório. Mas continuava se encontrando furtivamente com Marta. Uns minoritas (religiosos da Ordem de São Francisco) fâmulos do prelado Almada perturbam a vida da família do tabelião, e Ivo prega-lhes peças. O tabelião queixa-se ao Ouvidor Geral, que abre uma devassa. No dia em que o ouvidor partiria em viagem ao Espírito Santo, o prelado, em represália, excomunga-o em público com toda a solenidade do latim: te excommunicamus... O ouvidor leva o caso (“grave atentado cometido contra a majestade de El-Rei, nosso senhor, e sua autoridade que a todos nós fiéis súditos, cumpre defender”) ao Senado da Câmara.

Ivo organiza um motim de estudantes e em plena noite a população, desperta por um sino e atraída por um clarão ao Rossio do Carmo (atual [[Praça Quinze de Novembro (Rio de Janeiro)|Praça XV), depara, no alto do pelourinho, como uma alegoria ou caricatura que debochava do prelado e da fradaria, pintada por Ivo. A população está revoltada com as arbitrariedades do prelado e, para apaziguá-la, um moleque e um caboclo acabam servindo de bodes expiatórios para as estripulias dos minoritas. O tabelião flagra Ivo surrupiando um beijo de Marta e leva o casal ao cartório para casá-los. A condição: que Ivo abandone a pintura.

"Desenha-se, portanto, em O Garatuja, a cidade colonial de São Sebastião, com figuras reais e inventadas, exibindo costumes, trajes, modismos de linguagem, amores, encontros e revolução. Nesta volta ao passado, em fatos e linguagem, a leitura torna-se a aventura de reconhecer o Rio de hoje no referenciado, do século XVII, procurando sacudir o 'mofo literário' e entender, sobretudo, a imagem da cidade e de seu povo."

O Ermitão da Glória

Uma história de fé, milagres e amor impossível que conta os antecedentes (romanceados) que levaram à construção da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Transcorre em 1608, quando “a cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro tinha apenas trinta e três anos de existência” e os invasores franceses, embora expulsos, mantinham uma feitoria em Cabo Frio e ocasionalmente chegavam a “penetrar pela baía a dentro e bombardear o coração da cidade”. Conta a história do Senhor Aires de Lucena que, após dilapidar no jogo e nos amores a fortuna herdada do pai, um sargento-mor, recupera uma balandra (embarcação a vela) danificada de seu amigo de infância Duarte de Morais, parte para Cabo Frio para combater os “pechelingues” (piratas) sem esperar mais nada além de “uma morte gloriosa que legasse um triunfo à sua pátria” e acaba voltando trazendo consigo uma órfã bebê loira francesa cujo pai Aires matou em batalha e cuja mãe matou-se em seguida. Ao retornar, Aires entrega-a para ser criada pelo casal Duarte e Úrsula (“Roubei a essa inocente criança pai e mãe; quero reparar a orfandade a que voluntariamente a condenei”). Ela é batizada e recebe o nome de Maria da Glória “pela razão de a ter Aires salvado no dia daquela invocação”.

Transcorrem dezesseis anos e Aires tornou-se “valente corsário cujas sortidas ao mar eram sempre assinaladas por façanhas admiráveis”. Um dia, quando rezava, ao olhar para a imagem de Nossa Senhora, Aires percebe que “não vê senão o formoso vulto de Maria da Glória, em cuja contemplação se enlevava sua alma”. Estava apaixonado pela moça. Durante uma doença em que Maria da Glória está à beira da morte, Aires, acreditando se tratar de castigo por sua “ímpia adoração”, promete a Nossa Senhora permanecer “um ano inteiro no mar” se a moça se recuperar. Mal proferiu estas palavras, “entreabriu ela as pálpebras e exalou dos lábios fundo e longo suspiro”. Estava salva. Dali em diante, Maria da Glória, que antes da doença tratava Aires com certo acanhamento, passou a mostrar bem mais desenvoltura. “Em vez de acanhar-se, ao contrário expandia-se a flor de sua graça, e desabrochava em risos, embora roseados pelo pudor.” Com isso Aires vai protelando o cumprimento de sua promessa. Aires pensa em pedir Maria da Glória em casamento, mas na presença da moça se acanha. Um dia Aires presencia na Rua da Misericórdia a cena impressionante de um mercador que, por não ter cumprido uma promessa, foi duramente castigado (Capítulo XII, “O Milagre”). Resolve então cumprir a sua, e parte subitamente, sem dar explicações. Com a passagem dos dias, como Aires não retornava, todos acabam achando que morreu no mar. “Para muita gente passava como certa a perda do navio com toda a tripulação”. Maria da Glória “foi se finando de saudades pelo ingrato que a tinha desamparado levando-lhe o coração”. Descobre-se que ela gostava de Aires.

Cumprida a promessa, Aires retorna. “Tornaria a ver Maria da Gloria, ou lhe teria sido arrebatada, apesar da penitência que fizera?” Mas Maria da Glória agora se mostra indiferente a ele. Na verdade, está indiferente a tudo: “Parecia uma criatura já despedida deste vale de lágrimas, e absorta na visão do outro mundo.” A mãe acha que é sequela da doença e que um casamento a curará: “com o casamento voltará a alegria que perdestes!” A família resolve casá-la com um primo, Antônio de Caminha. O casamento ocorre na Igreja de São Sebastião, no alto do Castelo. Aires, lembrando que só por intercessão de Nossa Senhora foi que Maria da Glória conseguira sobreviver, exclama revoltado: “Antes não houvésseis atendido ao meu rogo, Virgem Santíssima!” e logo em seguida “Morta, ao menos ela não pertenceria a outro.” Dito e feito: Maria da Glória cai morta em plena igreja. “Maria da Gloria rendera ao Criador sua alma pura, e subira ao céu sem trocar a sua palma de virgem pela grinalda de noiva.”

Aires entrega sua escuna e todos seus bens a Antônio de Caminha e torna-se ermitão no Outeiro do Catete, “habitando uma gruta no meio das brenhas, e fugindo por todos os modos à comunicação com o mundo”. Ali adorava uma imagem de Nossa Senhora da Gloria. Antônio de Caminha não teve sorte nos empreendimentos (talvez como castigo por ter trocado o nome da escuna de Maria da Glória para Maria dos Prazeres, em homenagem a uma cortesã de Salvador) e acabou tornando-se mendigo. Ao voltar ao Rio, sobe o Outeiro do Catete para rever Aires. Encontra-o morto e torna-se ele próprio ermitão. Em 1671, constrói uma tosca ermida de taipa em homenagem a Nossa Senhora da Glória. O Outeiro do Catete com o tempo passa a se chamar Outeiro da Glória. No século seguinte, edificou-se no mesmo local a igreja que até hoje lá se encontra.

A Alma do Lázaro

O antigo diário de um lázaro (leproso), que jazia enterrado (por um pescador) por longas décadas, é redescoberto por um estudante em Olinda. Nesse diário o lázaro exprime sua alma, contrapondo-se ao seu corpo roído pela lepra, daí o título da obra. A segunda parte reproduz o próprio diário com as reflexões pungentes daquele “poeta desconhecido” que vivia como um [pária]], rejeitado pela sociedade. A certa altura, consola-se com sua fama: embora fujam dele, todos na cidade o conhecem, enquanto pessoas com muito mais méritos foram esquecidas: “Os feitos do guerreiro, os livros do sábio, serviços à republica, e linhagens de fidalgos, andam ignorados ou esquecidos pela turba, vária nas suas paixões. Ninguém sabe, ninguém lembra porque aquela cabeça encaneceu, porque aquela face rugou. E eu tenho, sem buscar, o que tanto eles buscam sem achar! Toda a cidade repete meu nome. Que importa que esse nome seja o de lazaro? Toda a gente me conhece. Que importa que me evite?” O lázaro procura aliviar suas dores contemplando uma inocente menina enquanto ela canta umas “endechas” à Virgem Maria e chega a se comunicar com ela: “A menina canta-as todas as noites, ao nascer da estrela d'alva. É uma Ave-Maria graciosa e pura; inspirou-a o amor filial santificado pela religião.” Mas acaba sendo descoberto e rechaçado.

ISRAEL E OS ÁRABES: VIAGEM DO VICE-PRESIDENTE CAFÉ FILHO A ISRAEL, LÍBANO & SÍRIA EM 1951


No Capítulo 6, "Do Círculo Ártico ao Mar da Galileia", de seu livro de memórias Do Sindicato ao Catete, Café Filho conta sua visita, em 1951, como vice-presidente de Getúlio, a vários países, entre eles o Israel, Líbano e Síria. Israel, então engatinhando com seus três aninhos de idade, dava uma lição de socialismo ao mundo com seu kibutz. Infelizmente a beligerância das nações circundantes com o tempo acabou obrigando o Estado Judeu (que também abriga cristãos e muçulmanos) a se transformar em  uma espécie de Esparta moderna, uma fortaleza inexpugnável. Na leitura você observará que, enquanto os judeus esforçavam-se por construir sua nova nação, contra todos os obstáculos, as nações árabes em volta já eram turbulentas, com atentados e distúrbios. A seguir, a narrativa extraída da obra de Café Filho:

ISRAEL E OS ÁRABES

Istambul, na Turquia, e Nicósia, na Ilha de Chipre, foram as etapas seguintes do meu itinerário, através de rápidas visitas.
Detive-me, depois, quatro dias em Israel, podendo, assim, avaliar de perto a obra de construção da Pátria dos judeus, que tivera a sua independência proclamada três anos antes.
O esforço que presenciara na Iugoslávia só tinha paralelo com o do Estado de Israel. Também nessa nova nação se praticava um socialismo avançado. As enormes fazendas coletivas que lá se organizaram impressionaram-me pelo senso de cooperação dos seus membros. Abrigavam, às vezes, mais de sete mil pessoas, que não recebiam salário nem tinham participação nos lucros.
A fazenda provia-lhes as necessidades, e todos se esforçavam ao máximo.
Se o kibutz progrida, melhor para eles. Se não, todos tinham consciência de que seriam prejudicados.
Encontrei em Israel um espírito coletivo dificilmente alcançável. Mas não ficava nisso a obra que realizavam.
Os trabalhos científicos de recuperação do deserto, a conquista da água do subsolo como um dos principais fatores de desenvolvimento, a solução dos problemas culturais, religiosos, sociais e econômicos vinham sendo alcançados em meio de um drama político e militar resultante da crise internacional em que se debatia Israel, com as suas fronteiras transformadas em frentes de batalha, onde os períodos de guerra e trégua se alternavam no exaustivo e trágico revezamento.
Comoveu-me o heroísmo das comunidades judaicas, sua energia e perseverança, animadas pela devoção a um ideal, o da manutenção para sempre do Estado de Israel.
Vi, nesse país que nascia, impressionante exemplo de solidariedade, provocada, naturalmente, pelo desafio das circunstâncias e confortada pela consciência histórica, em substituição aos estímulos comuns da livre competição e do lucro individual.
Não senti, porém, que aqueles homens e mulheres de extraordinária capacidade — técnicos e trabalhadores admiráveis em sua abnegação — fossem pessoalmente felizes.
Revelavam espíritos de equipe só comparável ao espírito de renúncia, sob a compreensão sombria de sagrados interesses nacionais.
Construíam-se, quando lá estive, blocos de mil edifícios de apartamentos, para abrigar a legião contínua dos judeus que procuravam a nova pátria. Chegavam e iam trabalhar nas suas futuras residências, alojando-se, enquanto trabalhavam, em gigantescos acampamentos.
Telavive já contava, em 1951, com mais de trezentos e cinquenta mil habitantes, e se ouviam na capital todos os idiomas da terra.
Fui alvo de carinhosas demonstrações de hospitalidade, inclusive um banquete oferecido pela Câmara dos Deputados, com a presença de quase todo o Ministério.
O Presidente Chaim Weizmann recebeu-me em sua residência em Telavive, já bastante alquebrado pela enfermidade de que em breve sucumbiria.
Ao ser recebido pelo Primeiro Ministro Ben Gurion, surpreendeu-me vê-lo sem gravata. Quando nos separamos, manifestei certa estranheza, mas fui informado de que aquilo era nele um costume e um traço característico, já tendo dado margem a incidentes em reuniões e conferências internacionais.

A construção do Estado de Israel  conforme a surpreendi de passagem, e, por conseguinte, em flagrantes de itinerário, do modo como a senti em contato com o seu povo, e, por outra forma, em emoções vividas de mais longa permanência, ou à distância, através de impressões de leitura e depoimentos humanos — há de inspirar, sempre, todos os homens, alentando-lhes a confiança no esforço bem organizado para a consecução de um objetivo que tenha num ideal o seu ponto de partida.
Poetas, escritores, sociólogos, cientistas, historiadores, artistas plásticos e dramáticos celebrarão, sempre, com sucesso, a grandeza dessa epopeia moderna dos judeus.
Todos os povos da terra hão de vibrar diante dela com profunda admiração.
Uma coisa, no entanto, é incontestável: a obra do Estado de Israel apresentar-se-ia impossível em condições diferentes.
Ela é magnífica, porém irreproduzível. Seu arrojado exemplo não se aplica, e não se poderá, portanto, aproveitar em outra qualquer parte.
O Estado de Israel não foi construído e não vive apenas do trabalho dos seus habitantes e da produção do seu solo, ainda que este, como se sabe, tenha sido estimulado pela técnica mais prodigiosa na criação de condições de fertilidade permanente.
Chegam-lhe recursos de todas as partes do mundo e das nações mais ricas. Israel é, na realidade, uma nação infinitamente maior que o seu limitadíssimo território.
Perguntei ao Ministro da Fazenda israelense sobre o orçamento nacional.
— Temos um déficit orçamentário de 90%... — respondeu-me ele.
Isto quer dizer: a receita do Estado cobria apenas 10% das suas despesas, em 1951.
O Ministro da Fazenda de Israel era uma pessoa bem humorada, a despeito do espantoso desequilíbrio que lhe cumpria administrar.
Ante a revelação do Ministro, comentei com ele: 
— O formidável espetáculo do Estado de Israel, pelas suas condições muito peculiares, jamais se poderia verificar no Brasil.
Ponderou-me, com um sorriso, o gestor das finanças israelenses:
Por quê? O Ministro da Fazenda do Brasil também é judeu...
Referia-se ao Ministro Horácio Lafer

Em meu encontro com o Ministro das Relações Exteriores, Moshe Sharret, pediu-me ele que transmitisse ao Governo brasileiro o desejo de que fosse logo nomeado nosso representante em Telavive.
O Ministro de Israel junto ao Governo do Brasil, já designado, foi-me apresentado na ocasião.
Ao voltar ao Rio, levei o pedido ao Presidente Vargas, que me respondeu:
— Já convidei o Samuel Weiner. Ele será o nosso ministro em Israel.
Fiquei surpreso com a notícia, não tanto por ser novidade, pois já haviam circulado rumores a respeito, mas porque se tratava de uma Legação que só poderia ser ocupada por diplomata de carreira, não sendo viável, ainda, a sua transformação em Embaixada.
Não existia, assim, no momento em que estive no Estado de Israel, nenhuma autoridade diplomática brasileira acreditada junto ao governo. E as fronteiras de Israel com os Estados árabes vizinhos, conforme mencionei, estavam fechadas e guarnecidas de tropas.
Só me foi possível ir à Transjordânia através de negociações processadas pela Legação dos Estados Unidos em Telavive, recebendo-me, depois, na fronteira, o Cônsul-Geral da Espanha, Duque Terra Nova, e um sacerdote católico da mesma nacionalidade. 
Penetrei, pois, sob a proteção da bandeira espanhola na Jerusalém árabe, transpondo o vale de Josafá.
Dirigi-me ao interior da cidade percorrendo parte da Via-Crúcis, visitando o Templo e o Palácio de Pilatos, a pedra da Mesquita de Omar, local de onde, segundo a lenda, Maomé subiu aos céus, e uma outra mesquita em que, oito ou dez dias antes, fora assassinado o rei Abdullah, e que, por isso, ainda tinha cerrada a porta onde se dera o fato.
Avistei-me com representantes das religiões maometana, copta, greco-ortodoxa e católica romana.
Tanto na parte judaica como na parte árabe de Jerusalém e ainda no percurso que fiz de automóvel ao deixar Israel na direção do Líbano, andei por terras da Bíblia: Judá, Tiberíades, Cafarnaum, Nazaré, Calvário, Monte das Oliveiras, Monte Tibor, Mar da Galileia, berços e sepulcros de santos venerados, sítios de milagres e sacrifícios, relicários e altares que, perpetuando a fé criadora de uma civilização, evocam passagens da sua história feita de tradições.

A geografia política não é mais a mesma da Palestina no tempo do Novo Testamento. O tempo, no entanto, não parece haver transcorrido sobre algumas descrições encontradas na Bíblia, que ainda correspondem à atualidade, dando-nos a impressão de estar vivendo dois mil anos antes da era cristã que conhecemos.
É a impressão do peregrino que se detém para contemplar e visitar Judá.
A Jerusalém dos nossos dias está longe, porém, de apresentar-se como a aldeia da entrada triunfal de Jesus, que Ele contemplou ao chegar com os discípulos a Betfagé. Não é a cidade da predição de Ezequiel, no Velho Testamento, que seria posta contra um cerco, edificada contra uma fortificação, levantada contra uma tranqueira, pondo-lhe arraiais e vaivéns redor.
É agora uma cidade de pedra, rasgada por grandes avenidas, com modernos hotéis e densa população, restituída, no entanto, à legenda do passado pelo mistério da noite que a encobre de sombras antigas, mas, principalmente, com um toque sobrenatural, pela luz do amanhecer, uma claridade que a distingue na profusão de cores que se entreabrem aos notívagos e aos madrugadores através do sol que se acerca deles iluminando-lhes a insônia e a contemplação de Jerusalém.
A Nazaré cheguei na hora da missa cristã ortodoxa. O ambiente do templo era de absoluta concentração. De reverência e silêncio. Ninguém levantava a cabeça para olhar ninguém. Nenhum gesto, nenhuma voz. Total absorção dos fiéis no ofício religioso que se celebrava, atitude que não ocorre, geralmente, nas igrejas aos domingos em países, como o Brasil, de maioria católica, muitos, porém, católicos por hábito, costume ou tradição.
Em Nazaré, a severa impregnação que imobilizava a quantos acompanhavam a missa, se devia ao meio ambiente onde se situava.
No Calvário, estão erguidos três altares e ali três diferentes cultos velam, alternadamente, o lugar da crucificação do Cristo, não correspondendo, entretanto, à Igreja Católica Romana, mas à religião Greco-Ortodoxa, que lhe conserva o patrimônio, o local da Cruz.
O Calvário como o Monte das Oliveiras, vistos de perto, perdem as proporções que nos ficaram na imaginação pela leitura dos textos sagrados. São pequenas elevações do terreno, comparadas com a ideia que tínhamos de sua grandeza e volume.
Há uma grande emoção em visitar-se os locais celebrados no Novo Testamento, diluindo-se, porém, um pouco a mística ao penetrar neles e melhor fora que continuassem imaginados e intocados.
No túmulo de Cristo, chocam-se as impressões vivas do presente com a ideia de que ali esteve sepultado Aquele que uniu espiritualmente, entre tantas outras do Ocidente, a Nação Brasileira, mantendo até hoje uma filosofia que inspira e disciplina a vida de muitos povos.
Um pouco do que observara na Iugoslávia, em relação ao governo, observei nos lugares santos em relação à Igreja Católica Romana e outras relações.
O padre da Igreja de Judá, construída no local onde nasceu São João Batista, entregou a mesma expressão do pároco da Dalmácia, ao referir-se à coexistência religiosa em Jerusalém:
— É um horror! — exclamou para mim, em espanhol.
Visitei os templos de todas as religiões, inclusive dois e mais templos da mesma crença religiosa.
Registrou-se na Mesquita de Omar a curiosidade de um sacerdote em conhecer o valor da esmola que me havia observado dar a um dos seus companheiros.
Não seria a importância do óbolo em si, mas, possivelmente, acredito, em função da contabilidade de sua casa de orações.

Regressando a Telavive, fui notificado do sucesso das negociações com a Síria, por intermédio do Secretário da Legação dos Estados Unidos, no sentido de me ser permitida a entrada pela fronteira Israel—Líbano.
Fui recebido na fronteira pelo Encarregado de Negócios do Brasil e pelo Secretário de nossa Legação em Beirute e, em nome do Governo do Líbano, pelo Chefe do Protocolo da Chancelaria Libanesa.
Antes de chegar à Capital, examinei o terminal dos oleodutos do Iraque, recentemente construído, numa extensão de mil e duzentos quilômetros, percorrendo os depósitos de armazenamento e as câmaras de descarga, além do porto de embarque em fase de construção.
Visitei no dia seguinte o Presidente da República Cheikn Bechara El-Kouri, no seu palácio de verão, próximo à cidade de Aley, nas montanhas.
À noite, o Governo do Líbano ofereceu-me um jantar ao ar livre no restaurante de um dos principais hotéis da Capital, escolhido, ainda, para a homenagem, por se encontrar situado na Avenida Brasil.
Fui informado que um grupo de brasileiros desejava avistar-se comigo. Marquei o encontro imediatamente no mesmo hotel, indo reunir-me a eles depois do jantar.
Constituía sempre para mim um prazer conversar no estrangeiro com compatriotas.
O diálogo, como não podia deixar de ocorrer, girou em torno de temas brasileiros, mostrando os visitantes um grande conhecimento pessoal da situação paulista.
Foi-me fácil, assim, identificar o local de suas atividades.
Eram homens altos, fortes e morenos, descendentes, por certo, de imigrantes, o que denotavam nos traços da fisionomia.
— São todos vocês de São Paulo? — perguntei-lhes curioso de saber se, entre aqueles brasileiros, existiria alguém nascido no Nordeste, como eu, ou natural do Rio Grande, de Minas Gerais, do Paraná ou de Goiás. Em que estado nasceram?
— Nascemos aqui no Líbano — responderam-me.
— Todos?
— Todos. Mas somos brasileiros, o senhor não está vendo?
— Viemos ao Líbano a passeio...

Durante a permanência no Líbano, visitei a Síria no dia 4 de setembro. Cheguei cedo a Damasco e ali deveria pernoitar, o que não aconteceu — tornando à noite a Beirute com os companheiros de excursão.
Depois de cumprimentar o Presidente Achen Atassi, percorri as partes interessantes da Capital síria.
No centro da Mesquita de Ommayade, monumento suntuoso construído pelos maometanos, impressionou-me o túmulo, que me pareceu de ouro, onde está guardada a cabeça de São João Batista.
Na estrada de Damasco, detive-me no ponto em que São Pedro se refugiou dos seus perseguidores, onde foi aprisionado e de onde fugiu miraculosamente, tendo visitado, também, a casa de Ananias, a cujo subterrâneo São Paulo se recolheu após a sua conversão.
Há nesses sítios um sentido de mistério que revela uma antiguidade maior do que se possa ajuizar, perdurando, em consequência, a dúvida quanto à autenticidade das suas reminiscências, não se podendo saber, ao certo, se datam de alguma época ou foram criados pela imaginação.
Estive no “Grande Bazar”, de comércio promíscuo e bem sortido de brocados, móveis, tapetes e utensílios marchetados, criações artísticas e artesanais de um país de lendas e tradições.
Tenho a impressão que visitamos Damasco em um dia pouco conveniente.
Houvera, pela manhã, assassínios à porta da Mesquita de Omayade e, em consequência, o povo se encontrava agitado. Em um grande mercado, próximo ao templo, notamos a polícia embalada.
No hotel, onde almoçamos, sucediam-se as conferências políticas.
Estávamos informados quanto às mortes e ao sentimento das ruas. Mas, por falta de outros esclarecimentos, um dos companheiros de excursão cometeu a imprudência de tentar tirar fotografias no interior do santuário maometano
Só então, e de maneira áspera, fomos advertidos de que incorremos em heresia, praticando ato desrespeitoso e expressamente proibido.
A despeito das explicações dadas, não se desfez o mal-estar criado. O motorista sírio, que nos conduzia, confidenciou-me em espanhol, um tanto preocupado com a situação, a existência de um estado de revolta contra a nossa atitude desprevenida.
A esse tempo, penetraram na mesquita os esquifes dos assassinados, carregados nos braços erguidos dos carpidores, para o ritual da encomendação dos corpos.
A dor e a cólera pareciam misturar-se, extremadas e inseparáveis, no grupo espectral do séquito fúnebre.
Os gritos das lamentações confundiam soluços e imprecações, dir-se-ia que recordando os mortos e amaldiçoando a sorte, repercutindo, assim, assustadoramente, os sons da ululação, ora plangentes, ora frenéticos.
Aumentava nossa inquieta sensação de perigo, no local que involuntariamente já profanáramos.
Aconselhou-nos o motorista a nos retirar da mesquita pela porta dos fundos. No mercado, havia, agora, maior número de policiais armados.
Entramos, para acalmar os nervos, em um café, onde nos foi servido um pequeno lanche.
Mais calmos, sofreadas as emoções, pedi a conta.
— Não lhe custou nada. Não há despesa a pagar, respondeu-me, em português, o dono do bar.
Insisti em pagar a conta.
— Tivemos muita honra em servi-lo. Não é Vossa Excelência o Vice-Presidente do Brasil? — perguntou-me.

Vira um retrato meu em jornal de Beirute, com a notícia de minha visita à Síria.

SIGNIFICADO DOS NOMES

Ao dar nome a um recém-nascido, a gente não se preocupa com o “significado” do nome: ninguém chama o filho de Márcio porque quer que ele se torne guerreiro ou a filha de Stella para que se torne uma estrela. A gente dá nome por motivo religioso (nomes de santos, patriarcas etc.), porque alguém da família tem esse nome, porque o nome soa bonito ou simplesmente porque o nome está na moda — cada época tem uma verdadeira “safra” de nomes predominantes.

Mas depois que viramos adultos, aí sim, ficamos curiosos por saber a origem de nosso nome. Segue-se uma lista dos significados de alguns nomes mais comuns.


Abraão (origem hebraica) – pai de uma multidão de povos (“e não mais levarás o nome de ‘Abrão’, mas chamar-te-ás ‘Abraão’, pois constituir-te-ei pai de uma multidão de povos”)

Alexandre (do nome grego Alexandros) – defensor da espécie humana.

Alfredo (origem anglo-saxônica)– duende conselheiro.

Amália (do germânico amal) – trabalhadora.

Amélia – variação de Amália ou Emília.

Ana (do hebraico Hannah) – cheia de graça.

Ana Beatriz – ver Ana e Beatriz.

André (do grego andreios) – viril, corajoso.

Andrea – André em italiano e Andréia em espanhol.

Andreia – feminino de André.

Anita – diminutivo espanhol de Ana.

Antônio - em latim, Antonius, nome de uma família romana cujo membro mais ilustre foi Marcus Antonius (Marco Antônio). Origem etrusca desconhecida.

Aparecida – cidade de São Paulo onde apareceu a imagem da padroeira do Brasil.

Arthur – Artur em inglês.

Artur – nome inglês cujo significado exato se desconhece.

Beatriz (do latim Beatrix) aquela que faz os outros felizes.

Bernardo – derivado do elemento germânico bern (urso) combinado com o inglês hard (forte, corajoso). Forte, corajoso como um urso.

Caíque (do francês caïque) – tipo de barco.

Clara (do latim clarus) - clara, brilhante, ilustre.

Clarissa (do nome latino Claritia, derivado de clarus) - clara, brilhante, ilustre.

Cláudio (origem latina) – coxo, que manca, daí as palavras claudicar, claudicante.

Cristina (feminino de Christian) – cristã.

Daniel (origem hebraica) – Deus é meu juiz.

Daniela – feminino de Daniel.

Dara (origem hebraica)– sabedoria ou compaixão. O nome também pode ter origem irlandesa, e nesse caso significa carvalho.

Davi (origem hebraica) – amado.

Débora (origem hebraica) – abelha.

Eduardo (origem inglesa) – próspero guardião.

Elizabeth (do nome hebraico Elisheva) – consagrada a Deus.

Emília – feminino de Emílio.

Emílio (do nome de família romano Aemilius, derivado de aemulus, daí a palavra êmulo) – rival.

Enzo – nome italiano de origem incerta.

Fátima (origem árabe) – a que deixou de mamar (Fátima foi uma das filhas do profeta Maomé e é o nome de uma cidade portuguesa onde Nossa Senhora apareceu a três pastores).

Flávio (do nome de família romano Flavius, derivado de flavus) – de cabelo dourado ou amarelo.

Gabriel (origem hebraica) – homem forte de Deus; um dos sete arcanjos da tradição judaica.

Giovanni – João em italiano.

Henrique (origem germânica) – governante do lar.

Hugo (do germânico hug) - coração, mente ou espírito.

Ibrahim – Abraão em árabe.

Isabel - forma medieval espanhola de Elizabeth.

Isabella – forma latina de Isabel.

Isadora – variante de Isidora, que é o feminino de Isidoro.

Isidoro (do nome grego Isidoros) – dom de Ísis (deusa egípcia).

Ivan – João em russo, tcheco e croata.

Ivo – forma germânica de Yves, teixo.

Jacó (origem hebraica) – o que segura o calcanhar (Depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú; pelo que foi chamado Jacó.)

James – Tiago em inglês.

Jasmim (do persa Yasmin) – a planta jasmim.

João (do nome hebraico Yochanan) – Deus é bondoso.

Jorge – (do nome grego Georgios, derivado da palavra grega georgos) – que trabalha a terra, fazendeiro.

Joaquim (origem hebraica) – o elevado de Deus.

José (origem hebraica) – Ele acrescentará (Chamou-o José, dizendo: “Acrescente Javé outro filho a este!)

Juan - João em espanhol.

Júlia - feminino de Júlio.

Júlio – em latim, Julius, nome de uma família romana cujo membro mais ilustre foi Gaius Julius Caesar. Provavelmente derivado do grego ioulos, barba felpuda.

Kelly – nome inglês e irlandês de origem incerta. Também usado como sobrenome (Grace Kelly).

Lívea – feminino de Lívio.

Lívio – em latim, Livius, nome de uma família romana cujo membro mais ilustre foi Titus Livius (Tito Lívio). Pode derivar de liveo (invejar) ou lividus (invejoso).

Lucas (do nome grego Loukas) – da Lucânia (antiga região da Itália).

Lucienne – feminino do nome francês Lucien, que em latim é Lucianus, nome de uma família romana. Deriva de lux, luz.

Luís (do nome germânico Hludwig) – guerreiro ilustre.

Maicon – aparente “aportuguesamento” de Michael, que é Miguel em inglês, possivelmente por influência do artista Michael Jackson.

Maiquel - “aportuguesamento” de Michael, que é Miguel em inglês.

Manoel (do nome hebraico Emmanuel) – Deus está conosco.

Marcela – feminino de Marcelo.

Marcelo – em latim, Marcellus, nome de uma família romana, derivado do prenome Marcus (Marco), que por sua vez deriva do nome Marte, deus romano da guerra.

Márcio (do latim martiu) - guerreiro (Marte era o deus da guerra).

Marco – derivado do nome Marte, deus romano da guerra.

Maria - forma latina do nome hebraico Míriam, cujo significado exato não se conhece.

Mariana – feminino de Marianus, nome de uma família romana, derivado do prenome Marius (Mário).

Marina (origem latina) – proveniente do mar.

Mário – em latim, Marius, nome de uma família romana. Provavelmente derivado do nome do deus romano Marte.

Mateus (do nome hebraico Mattithyahu) – dom de Deus.

Maurício – em latim, Mauricius, nome de uma família romana, derivado de Maurus (Mauro).

Mauro (origem romana) – mouro, de pele escura.

Michael – Miguel em inglês.

Michel – Miguel em francês.

Michelle – feminino de Michel.

Miguel (do nome hebraico Miyka'el) – quem é como Deus? Um dos sete arcanjos da tradição judaica.

Moisés (origem hebraica) – salvo das águas (“...pondo-lhe o nome de Moisés: ‘Porque — alegou — eu o tirei da água.’”)

Mônica - origem fenícia desconhecida (Santa Mônica foi mãe de Santo Agostinho).

Natália (do nome latino Natalia, derivado de natale domini) – Dia de Natal.

Nívea (origem latina) – feminino de Níveo, branco como a neve.

Patrícia –feminino de Patrício.

Patrício (do nome romano Patricius) – nobre.

Paulo (do sobrenome romano Paulus) – pequeno, humilde.

Pedro (do grego pétros) - pedra.

Pierre – Pedro em francês.

Raquel (origem hebraica) – ovelha.

Ricardo (origem germânica) – poder destemido.

Rita – forma reduzida de Margarita e outros nomes terminados em ita.

Roberto (origem germânica) – fama brilhante.

Ronaldo (do nome germânico Reginold) – nome composto dos elementos ragin (conselho) e wald (governo).

Samara (do hebraico Shemariah) - guardada por Deus. Protegida por Deus.

Samira (origem árabe) – feminino de Samir, que significa companheiro de conversa noturna.

Sandro – forma reduzida de Alessandro, que é Alexandre em italiano.

Sara (origem hebraica) – princesa.

Sérgio – em latim, Sergius, nome de família romana de origem etrusca desconhecida.

Sofia (do grego sophía) – sabedoria.

Stella (do latim stella) - estrela.

Teresa – significado incerto; talvez derive do grego theros (verão), de therizein (colher) ou da ilha de Thera, na Grécia.

Tiago – mesma origem do nome Jacó. São Tiago (Santiago) é o santo padroeiro da Espanha.

Vicente – deriva do nome romano Vincentius, que vem do latim vincere (vencer). Significa, portanto, vencedor.

William - Guilherme em inglês.

Extraído do meu livro Sopa no Mel.

NÃO TEVE GOLPE! VENCEU A DEMOCRACIA!



A tentativa de golpe do PT de se eternizar no poder lançando mão de recursos espúrios — compra de votos de parlamentares (Mensalão), financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro surrupiado (Petrolão), tentativa de controlar o Judiciário, compra de votos da população (desvirtuando a finalidade original dos programas sociais criados pelo PSDB, como bolsa família), tentativa de intimidação da sociedade através de suas milícias (black blocs, sem terras, sem tetos), repetição goebbeliana de mentiras até serem tomadas por verdades e, no afã de “fazer o diabo” para vencer as eleições a qualquer preço, as prestidigitações contábeis e fiscais tão graves a ponto de lançar a nação em forte recessão que priva a população trabalhadora de empregos e renda (e ainda assim, os petistas não têm a humildade de reconhecer o erro e repetem feito disco arranhado que “não houve crime”) e finalmente aquela patuscada da última segunda-feira urdida pelo governo agonizante e protagonizada pelo deputado-palhaço Maranhão... — a tentativa de golpe do PT, dizia eu, enfim parece que saiu pela culatra. NÃO TEVE GOLPE...DO PT! Venceu a DEMOCRACIA!

ANÚNCIOS DE COMPRA, VENDA E ALUGUEL DE ESCRAVOS

Anúncios de compra, venda & aluguel de escravos no Jornal do Commercio de 28 de novembro de 1840. Na época era considerado normal. A pergunta é: o que fazemos hoje de "normal" que daqui a cento e cinquenta anos será considerado absurdo? O triste é que a escravidão ainda não foi cem por cento erradicada do mundo.


SONHO DE UMA NOITE DE CARNAVAL

Poema de OLIVEIRA E SILVA ilustrado por ALBERTO LIMA publicado na REVISTA DA SEMANA de 5 de fevereiro de 1921



SONHO DE UMA NOITE DE CARNAVAL

Lembro: o ruído que ferve e desvaira... o deleite...
A turba imensa... tu passaste e nós sorrimos,
Deslumbrado, confuso e comovido, amei-te
Num minuto supremo, e nunca mais nos vimos!

Nunca mais! Desse amor no delírio das ruas
Ficou-me um travo leve, uma doçura atroz:
Não tive as minhas mãos palpitando nas tuas!
Não escutei, sequer, o som de tua voz!

Todo o ano, a recordar-te o brilho, desfaleço,
Em meio à multidão álacre, no tumulto,
De repente, estou só e, pálido, estremeço,
Pressentindo que vai aparecer teu vulto.

Sonho de Carnaval, maravilhoso e triste!
Ah! Mundos de prazer, que em vão imaginamos!
Nunca mais eu te vi! Nunca mais tu me viste!
Porque tardas? A vida é breve... nós passamos... 



Palhaço, original pintado com a boca e o pé por Gonçalo Borges