MEDO DA MORTE SEGUNDO O PSICANALISTA FRANCISCO DAUDT


A morte é a morte dos outros. Ninguém pode ter a representação psíquica de sua própria morte. Todas as vezes que nos imaginamos mortos estamos vivos, somos um defunto que ouve e vê, conta as pessoas presentes em seu enterro, observa suas expressões, confere as coroas de flores, lê o obituário dos jornais, se encanta por encontrar os entes queridos no céu ou se aterroriza por despertar fechado dentro do caixão. Em suma, estamos vivos.

Então que diabo é esse tal medo de morrer que tantas pessoas têm? Mais uma vez é o medo de alguma coisa diferente da morte e que imaginamos a partir de nossas experiências de vida. Um medo parente daquele dos navegadores do século XV, o medo do imaginado e não do desconhecido. É medo de coisas de vivos. Há o medo de ser enterrado vivo (então não se morreu), o medo de uma morte sofrida, de uma agonia (coisa de gente viva), o medo de ir parar no quinto dos infernos (continua-se vivo lá, então). Nunca ouvi ninguém dizer que tinha medo de passar ao estado de espírito que se sente durante uma anestesia geral, ou seja, nada. O mais perto disso era o medo de virar carne podre, mas este não adianta, a pessoa continua viva.

Esses medos são produtos finais de pensamentos mantidos sob repressão. Muitos são resultados de um temor de punição, representantes das ameaças variadas que Freud reuniu com o nome de angústia de castração. Alguns representam a sensação de não ter aproveitado da vida, de tê-la deixado passar sem tomar as decisões que sempre soubemos necessárias. A aflição de prazo se esgotando. Outros são temores de ser feliz deixando outras pessoas infelizes, seria a vingança dos infelizes.


Texto extraído de A CRIAÇÃO ORIGINAL: A TEORIA DA MENTE SEGUNDO FREUD, pp. 291-2.

SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND: 50 ANOS DEPOIS



It was twenty years ago today,
Sgt. Pepper taught the band to play
They've been going in and out of style
But they're guaranteed to raise a smile
So may I introduce to you
The act you've known for all these years,
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

We're Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band,
We hope you will enjoy the show,
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band,
Sit back and let the evening go.
Sgt. Pepper's lonely, Sgt. Pepper's lonely,
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

It's wonderful to be here,
It's certainly a thrill.
You're such a lovely audience,
We'd like to take you home with us,
We'd love to take you home.

I don't really want to stop the show,
But I thought that you might like to know,
That the singer's going to sing a song,
And he wants you all to sing along.
So let me introduce to you
The one and only Billy Shears
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

Esta semana faz cinquenta anos que foi lançado o melhor disco de rock de todos os tempos, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, A Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta. Quem não foi adolescente naquela época (eu fui!) não tem noção do impacto que o disco exerceu (assim como quem não viveu em Praga em 1787 não tem noção do impacto que a estreia da ópera mozartiana Don Giovanni exerceu, etc.) A gente estava acostumado com discos que eram coletâneas de sucessos do quarteto, alguns lançados originalmente em discos compactos, normalmente cantados ao vivo nos shows cada vez mais mega onde ficava difícil controlar a histeria das fãs. Não foi à toa que Lennon declarara que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. A Beatlemania conquistara o “mundo livre” (no bloco socialista, o "Segundo Mundo", essas manifestações de arte burguesa decadente costumavam ser proibidas). Sgt. Pepper's é o primeiro de uma sucessão de resultados da decisão do genial quarteto de abandonarem os shows e se dedicarem à pura criação artística em estúdio. Antes de Sgt. Pepper's música popular era uma coisa (efêmera, descartável), música clássica era outra (verdadeira música, eterna). Com Sgt. Pepper's a “música popular” – jazz, rock, etc. – ganha uma nova estatura e passa a ser a “música clássica” do século XX (hoje ninguém mais tem dúvida sobre isso, tem?). 

Querem saber qual foi minha primeira reação quanto voltei da loja depois de comprar o LP? Decepção! Estava acostumado com musiquetas de fácil assimilação, dançáveis, do conjunto (banda na época era conjunto) que conquistara minha geração, e eis que eles lançam um disco com músicas difíceis, elaboradas (a do Harrison, com cítara, eu pulava porque achava meio chata... até hoje ouço com relutância). O disco marcou uma revolução cultural na cabeça do meu papai. Meu pai praticamente só ouvia música clássica. Tenho até hoje guardados os seus LPs dos mestres da música. Quando meu irmão e eu “gamamos” por A Hard Day’s Night, a canção com que os Beatles estouraram (em compacto duplo que tinha na outra face She Loves You), meu pai estrilou: “Como vocês conseguem ouvir este barulho?” Mais ou menos a reação que tenho hoje ao ouvir música eletrônica. A única concessão que meu pai fazia à música não clássica era o samba – ele tocou cavaquinho na juventude. Pois bem, com Sgt. Pepper's meu pai se tornou um Beatlemaníaco tão fanático quanto os próprios filhos! Passou a comprar os discos dos Beatles, e ai de nós se nos apropriássemos dos discos dele para ouvir nas nossas reles vitrolas! Tínhamos que ter os nossos próprios, que acabavam totalmente arranhados de tanto que ouvíamos, ouvíamos, ouvíamos. Ouço ainda hoje.

LEIA TAMBÉM NESTE BLOG: OS REIS DO IÊ IÊ IÊ 

A ESQUERDA EM BAIXA, de JAYME COPSTEIN

ARTIGO PRESCIENTE DE 19/7/2010 DO BRILHANTE JORNALISTA E RADIALISTA GAÚCHO JAYME COPSTEIN, FALECIDO EM 12/1/2017, COM QUEM TIVE A OPORTUNIDADE DE ME CORRESPONDER POR VÁRIOS ANOS, EMBORA NÃO VIESSE A CONHECÊ-LO PESSOALMENTE. FOTOS DO EDITOR DO BLOG TIRADAS DURANTE OS MEGAPROTESTOS PACÍFICOS QUE PRECIPITARAM A IMPLOSÃO DO PROJETO DE PODER CRIMINOSO PETISTA, SALVANDO-NOS DO FANTASMA DA VENEZUELIZAÇÃO



Enquanto na América Latina, a esquerda só conseguiu progressos eleitorais aliando-se a manjados caudilhos populistas e a corruptos de todas as roupagens ideológicas, na Europa comentaristas políticos especulam se qualquer vertente do socialismo tem futuro. 

As indagações nascem do desastre econômico a que partidos de esquerda produzem quando governam, como atualmente em Portugal, Espanha e Inglaterra, ou já governaram, como França e Itália, onde continuam a sofrer pesadas críticas.

Mesmo diante da crise que assola o mundo capitalista, a opinião pública europeia não se mostra condescendente com a esquerda. É que os anos de austeridade e contenção dos conservadores no Governo têm sido sistematicamente desbaratados em benemerências sociais sem pé na realidade. Aliás, é o que está acontecendo no Brasil de hoje em que os esforços do governo anterior, para alcançar solidez à economia e equilíbrio às finanças, têm sido malbaratados em projetos de perpetuação no poder da aliança que nele se aboletou para saquear o Tesouro

O declínio político da esquerda europeia foi registrado sob o dramático título de “Os últimos dias do socialismo”, em matéria do International Herald Tribune, a edição internacional de The New York Times. Mas Bernard Henri Lévy, ícone do socialismo francês, foi mais contundente: "Já está morto. Ninguém, ou quase ninguém, se atreve a dizê-lo. Mas todos, ou quase todos, sabem disso”.

A matéria publicada pelo International Herald Tribune resume artigo do próprio The New York Times, intitulada “Europe’s Socialists Suffering Even in Downturn” (Socialismo europeu sofre declínio).” É uma longa análise da situação político-partidária europeia. Dela se depreende que contribui para a agonia do esquerdismo europeu o fato de ser doutrina inspirada pela realidade do Século 19, mas superada por avanços tecnológicos do final do Século 20, como a globalização, por exemplo. Enrico Letta, jovem líder da esquerda italiana, confrontado com o populismo nacionalista de Berlusconi, assinalada a necessidade de “construir um centro-esquerda pragmático, como alternativa atraente e não mera oposição”. 

Há certa semelhança com a situação brasileira, onde os partidos de esquerda, após anos de recalcitrante oposição, aliaram-se ao que havia de pior na prática política, para um projeto anfíbio de poder. Na superfície, a submissão aos corruptos e inescrupulosos sob o pretexto da governabilidade. Nas águas profundas, o aparelhamento do estado e as repetidas tentativas de impor uma ditadura dissimulada sob a máscara de “democracia direta”, criando de “conselhos” para controlar a justiça, a educação e a livre manifestação do pensamento através da censura à imprensa. 

É evidente que Tony Judt, diretor do Instituto Remarque da Universidade de Nova York não leva em conta nem faz referência à evolução da esquerda brasileira ao se mostrar pessimista em relação à receita de Enrico Letta, mas a observação da coincidência de situações se legitima no comportamento semelhante dos “militantes”, aqui e na Itália. Judt é taxativo: "Não acho que o socialismo na Europa tenha futuro, e dado que é parte essencial do consenso democrático europeu, é uma má notícia ".

Resta saber para quem, se para a esquerda ou para todos nós, que devemos nos preparar para a violência do terrorismo, tal como ocorre quando esta gente não consegue impor-se pela convicção das ideias [COMO VEM OCORRENDO ATUALMENTE NA VENEZUELA].

MITOS DA ESQUERDA (ou O ÓPIO DOS INTELECTUAIS), de IVO KORYTOWSKI



A esquerda criou o mito de que Dilma foi derrubada por um golpe de estado e Lula é a inocente vítima de um complô judiciário (quando na verdade Dilma caiu vítima da própria incompetência e Lula foi o chefe da quadrilha que depenou a Petrobrás, entre outros ilícitos).

A esquerda criou o mito de que Israel é o arquivilão do Oriente Médio (quando na verdade abundam vilões nessa conturbada região do globo).

A esquerda criou o mito de que os EUA mereceram os ataques terroristas de 11/9 (sem comentários).

Quando Sadam Hussein invadiu o Kuwait, a esquerda criou o mito de que o Iraque tinha um direito histórico àquela área (lembro bem, cheguei a polemizar com esquerdistas na seção de cartas do JB, a “rede social” da época).

Quando as tropas do Pacto de Varsóvia entraram em Praga, a esquerda criou o mito de que foram recebidas com aplausos e flores pela população tcheca (recordo bem, ouvi na época nas transmissões em ondas curtas da rádio de Moscou).

A esquerda criou o mito de que a Cuba é o paraíso sobre a Terra (quando na verdade esse paraíso é a Dinamarca, se é que existe).

A esquerda criou o mito de que o Muro de Berlim foi erguido para proteger o lado comunista de espiões e agitadores ocidentais (lembro perfeitamente, li isso num livro de esquerda sobre a questão do Muro na época – uso “questão” de propósito porque esquerdista não consegue articular uma ideia sem uma “questão” no meio – pobreza vocabular?)

A esquerda criou o mito de que o Guia Genial dos Povos, Stalin, conduziria a União Soviética para o radioso porvir socialista (quando na verdade Stalin foi um assassino do mesmo quilate de Hitler).

A esquerda de linha maoísta (porque, assim como a religião, a esquerda se divide em seitas) acreditava que Mao Tse Tung conduziria a China idem. (Me engana que eu gosto.)

A esquerda criou o mito de que o capitalista é o maior inimigo do trabalhador (quando na verdade é o capitalista quem cria os empregos – pense bem, se o capitalista é dispensável, como reza a cartilha marxista, por que o trabalhador, em vez de se sujeitar à humilhante busca de emprego, não cria seu próprio emprego?)

A esquerda criou o mito de que os Estados Unidos são os maiores vilões do Universo (tente viver sem as comodidades que os americanos trouxeram ao mundo: para-raios, avião a jato, geladeira, aspirador, I-Pod, Kindle, Viagra, vacina Sabin, etc.)

Se, como queria Marx, a religião é o ópio do povo, eu diria que o marxismo é o ópio dos intelectuais

VERDADE, de FRANCISCO DAUDT

TEXTO PUBLICADO ORIGINALMENTE EM 26/4/2017 NO BLOG DE FRANCISCO DAUDT DA VEIGA

Boca da verdade, em Roma. Reza a lenda que, se você enfiar a mão na boca e disser uma mentira, ela fechará. Por via das dúvidas...

“A realidade pode ser incômoda, mas é o único lugar onde se consegue um bife decente”, disse Woody Allen, resumindo a relação conflituosa que nossa espécie tem com a verdade. Precisamos dela, mas frequentemente a rejeitamos.

Tudo começou com a morte. Tão logo brotou no sapiens a percepção de que todos vão morrer – inclusive o próprio –, ele arranjou um jeito de dizer “não é bem assim, existe vida após a morte”. E deixou o primeiro sinal de consciência registrado pela espécie, há cem mil anos: os ritos fúnebres.

Fato é que os dois instintos que nos movem – a sobrevivência pessoal e a da espécie –, fazem com que lidemos com a realidade, ora buscando a verdade, ora fugindo dela. Vejamos o sexo: um provérbio português dos anos 1600 dizia que “juras de foder não são para crer”. Esse negócio de “eu vou casar com você amanhã” deve ser bem verificado pela moça, pois as chances de o rapaz estar em franco desapreço pela verdade são muito grandes.

No caso da sobrevivência pessoal, o processo de delação premiada é exemplar quanto ao jogo entre a verdade e o risco de mentir: o delator tem tudo a perder se estiver mentindo. Vai em cana, não ganha seu prêmio. Já o delatado tem tudo a ganhar, se sua mentira emplaca. É a velha questão do “cui prodest” (quem se beneficia?) latino, que serve de boa pista para se descobrir o culpado do crime. Ele se aplica à divisão política que o país vive: há um monte de gente com a postura de que “se os fatos contrariam as minhas crenças – ou meus interesses corporativos –, bem, danem-se os fatos”.

Outro exemplo é o “me engana que eu gosto”. Ninguém quer ser trapaceado; já docemente enganado, até contratualmente, nós todos adoramos: quando vamos ver um filme, aplicamos o “suspension of disbelief”, um acordo de suspensão da desconfiança para poder embarcar na ficção. De modo que, se aparecer um centurião romano de relógio, vamos ficar muito aborrecidos com esse chamado da realidade.

E há o pensamento mágico: nossa sobrevivência pede um certo grau de controle (ou de ilusão de controle) sobre o mundo externo. É bom saber se vai chover na minha horta, e se eu puder controlar a chuva através de uma dança ritual (ou do cacique cobra-coral), eu a farei. Assisto passivo ao jogo de futebol, mas se pegar uma cerveja na geladeira pode ajudar o meu time a fazer gol (afinal, foi o que aconteceu no jogo passado), lá irei pegá-la.

Milênios se passaram até que alguém humildemente admitiu sua ignorância: “Não sei porque isso acontece. Mas quero saber”. Foi o embrião da ciência. Não é um assombro pensar que tal postura – como tendência mundial – tem apenas seiscentos anos?

O que dizer das convicções dos filósofos realistas e idealistas frente a uma árvore que cai no meio do deserto sem testemunhas? Os realistas creem que a árvore faz barulho ao cair. Os idealistas, como julgam que a realidade só existe no mundo das ideias, creem que não, que ela cai em completo silêncio. Preciso dizer que sou realista?

Neste tempo de pós-verdade, de relativismo, de “verdade de cada um”, deixo claro aqui que nunca entrarei num avião construído por um engenheiro pós-moderno.

PARA LER O DIÁRIO DA VIAGEM ONDE FOTOGRAFEI A BOCA DA VERDADE EM ROMA CLIQUE AQUI. Para ler outras ótimas crônicas de diversos autores clique no label "crônicas" abaixo.

PASSAPORTE PARA O PARAÍSO (livro de IVO KORYTOWSKI)


Ivo Korytowski
Passaporte para o Paraíso
Editora Fragmentos

Passaporte para o Paraíso desenrola-se em três planos: em primeiro plano, descrevem-se as vicissitudes de um judeu alemão que emigra para o Brasil com a família a fim de escapar ao nazismo; o segundo plano trata do romance entre seu neto e uma brasileira católica numa época em que o casamento de pessoas de religiões diferentes ainda era problemático; o terceiro plano consiste em uma reflexão sobre a crença no Messias. “O senso de humor, ironia e apreciável gama de conhecimentos filosóficos são responsáveis por uma trama singular e atraente.” Escrito trinta anos atrás, só agora tive a oportunidade de publicar. Menção honrosa do Prêmio Graciliano Ramos da UBE em 1992.

"Considero Passaporte para o Paraíso de Ivo Korytowski um romance de grande valor. Trata-se de um romancista arguto e denso. Ele tem cultura filosófica e uma visão extremamente lúcida da realidade. Seu livro – sobre o drama terrível dos judeus – é um desses livros intensos que a gente não esquece nunca mais." Antonio Carlos Villaça

LANÇAMENTO EM SÃO PAULO:

Em junho, em dia e local a serem oportunamente informados

ONDE COMPRAR O PASSAPORTE PARA O PARAÍSO:

1. Por R$24,00 no site da Editora Fragmentos: clique aqui.

2. Na Estante Virtual por R$24,00: clique aqui.

ELOGIOS RECEBIDOS NA PRIMEIRA SEMANA APÓS O LANÇAMENTO DO LIVRO:


Estou lendo seu livro, você consegue colocar verve em trechos dramáticos. Auto referente e bom texto.
Esther Largman

Terminei de ler ontem à noite todas as 122 páginas (123, contando a “Nota do Autor”) do seu «PASSAPORTE PARA O PARAÍSO». Conforme eu antecipava, teu livro é Opera Prima, quem conhece o autor, pessoa de alta qualidade, sabe que sua obra também vai ser de alta qualidade, muito culturalmente informativa. E mais que isso, eu passei a conhecer melhor as tuas origens (origens dos Korytowskis).
Merece ser elogiado:
1º) porque tem alta qualidade literária, e de sobra;
2º) permite ao leitor conhecer características/costumes do povo judeu não facilmente encontráveis em português em quaisquer outros lugares.
Erik José Steger

Estou aqui comovido com a leitura do seu "Passaporte". Comentei sobre ele com o ***, cujos pais também fugiram do nazismo, e ele me pediu um exemplar. Onde encontro?
Francisco Daudt

Realmente você é um bom escritor, nasceu para as Letras, o que se confirma nas suas outras obras e nos seus blogs.
Parabéns e sucesso.
Ronaldo Câmara

O livro do Ivo é maravilhoso, eu adorei, principalmente porque eu conheci a família. Ele escreve tão bonito que a gente fica emocionado.
Judith Berger

Ivo, eu li o livro Passaporte para o Paraíso, escrito por você, e achei-o sensacional! Parabéns!!!
Siomara De Cássia Miranda

O artifício das narrativas paralelas mostra com humor e ironia a assimilação de culturas quase opostas (e tão parecidas). Se Sérgio fosse goy (é assim?) e Helena judia, como aconteceria o progresso do casamento?  O registro da já tradicional marmelada no Itamaraty e adjacências do poder dá um “flagra” bem a propósito. Histórias que muitos outros Ottos contariam.
Que o Passaporte tenha perene validade para outros romances, com humor, amor e ironia.
Helio Brasil

Gostei muitíssimo do seu livro, diverti-me a valer.
Alexei Bueno

Só agora pude terminar a leitura desse excelente romance, não me importando como classificá-lo. Confesso que não fiquei surpreso com a qualidade superior do texto e da trama. Muito interessante, completamente novo para mim, o processo de criação da obra. Esse processo merece um estudo a parte, já que há cortes abissais que se recosturam e retomam um "fio condutor", que seria, digamos, sub-reptício ou subterrâneo. Coisa de Mestre!

Seu Passaporte para o Paraíso, eu diria, para a Eternidade, já está acertado. Você já escreveu para dialogar com as gerações futuras. Falo sem medo de errar.
Geraldo Reis


Comecei a ler o seu livro (Passaporte para o Paraíso) dentro do avião, no voo do Rio para BH. Li até a p. 30, apreciei muito e quando o avião aterrissou, senti-me frustrado, querendo que o voo durasse mais tempo. Agradaram-me imediatamente a redação, o estilo e o conteúdo. Agora vou continuar a ler um pouco mais devagar, curtindo todos os detalhes. Acho que o menino na capa é você.
Osmar Brina Corrêa-Lima


Já terminei seu livro há algum tempo, li aos poucos, um capítulo por dia, degustando. Seu texto é muito bom, a narrativa flui de forma bem agradável e os toques de humor são uma das suas principais características. É interessante refletir sobre como o povo judeu jamais poderia imaginar que um país culto como a Alemanha poderia se render a um psicopata como Hitler. Aliás, ninguém poderia imaginar isso, essa é que é a verdade. Fica a vontade de ler mais, acho que a história poderia ser bem maior, centrada no casal, achei que terminou de uma forma que a gente fala assim: poxa, já?
André Luis Mansur Baptista


Ivo, terminei de ler o teu livro ontem à noite: UMA OBRA PRIMA! PARABÉNS! ESCREVA MAIS LIVROS!

Márcio Steinbruch


RESENHAS:

No blog Poesia, Arte e Literatura de Salomão Rovedo. Para acessar clique aqui.

CONTO EVANGÉLICO: COMO O DIABO GOSTA, de IVO KORYTOWSKI


Marta era carioca pacata, meiga e sincera, que sonhava em conhecer senhor trabalhador, situação financeira definida, carinhoso, de bem com a vida... em suma, a alma gêmea. Morava em casinha de alvenaria com a avó que a criara. Jamais conhecera o pai. E a mãe, que trocava de homem como se troca de camisa, a visitava cada vez menos. Esforçada, ganhava a vida como explicadora de aritmética, português e outras matérias para as crianças da vizinhança – vizinhança meio barra-pesada, bairro popular afavelado, que esse é o quinhão da população humilde das urbes de nosso país.

Posto simpática, sorriso fácil, felizmente não era dotada de beleza de capa de revista, senão correria o risco de cair no gosto do chefe do tráfico local. Ai de quem lhe negasse os favores sexuais! Moça da vizinhança tivera a família chacinada, inclusive a filha pré-adolescente, porque se recusara a ficar com o traficante-mor, sujeito de alta periculosidade. Tivesse sido massacre em escola norte-americana, sairia no JB, Globo, daria no Jornal Nacional, os brasileiros nos comoveríamos, nos preocuparíamos com o "surto absurdo de violência neste final de século" e coisa e tal... mas porque acontecera aqui (ou se acontecesse em Serra Leoa) envolvendo a população mais humilde, ninguém ligava... nem esquerdas, nem direitas, nem parlamentares, nem igreja, nem pastores, nem sindicatos, nem OAB, nem ABI, nem ONGs, nem comissões de direitos humanos... banalizara-se o mal. Um monte de gente se vangloriava de ter resistido contra a ditadura militar, mas cruzava os braços diante da ditadura do banditismo. Onde estariam nossos heróis de outrora? Ninguém esboçava a menor reação. Tais pensamentos cruzavam o cérebro de Marta, moça esclarecida, que, com grande sacrifício, completara o segundo grau e que procurava se instruir lendo jornais, revistas, romances, qualquer texto impresso que lhe caísse às mãos.

Às vezes, quedava-se perplexa diante de tanta maldade no mundo, violência, desamor. Existiria inferno pior do que este? Crianças abandonadas, doentes nos hospitais, loucos em manicômios, assassinos e ladrões espalhando a dor. Como Deus podia omitir-se diante de tanto sofrimento?

Um dia, vizinha convidou-a para corrente da libertação na Igreja da Vida Eterna, uma dessas igrejas evangélicas que pululam país afora. Marta aceitou o convite, meio por curiosidade, meio por não ter o que fazer naquela tarde de domingo, e se impressionou: em vez da lengalenga da missa católica, que freqüentava vez ou outra (e do padre insosso), pastor bem-apessoado, óculos de lentes grossas, terno, gravata, conclamando – voz atroadora de comandante militar em meio à escaramuça – incisivo os fiéis a se revoltarem, a darem um basta à servidão e miséria, a tomarem atitude contra o mal, a buscarem em Deus a solução para os males. Uma revelação como a de Paulo na Estrada de Damasco: Deus não podia ser acusado pelos problemas criados por nós mesmos. O pecado entrara no mundo por causa da desobediência do homem, e o diabo, o inimigo número um, tirava vantagem disso. Xô, Satanás! O pastor proferiu diatribe contra a idolatria, feitiçaria, macumba, folia, luxúria, toda sorte de vícios...

Marta tornou-se frequentadora assídua do templo, participando das correntes, dos encontros de louvor e adoração a Deus. Meses depois, a igreja alugou um ônibus para vigília em famoso estádio. Evento impressionante: estádio lotado, arredores tomados por dezenas de ônibus de várias localidades, altar erguido em pleno campo, enorme cruz de madeira, tapete vermelho ao redor... O líder daquela denominação, bispo de fama nacional, quiçá internacional, perorou sobre o mal que campeava na sociedade e pregou a revolta santa. Aleluia, irmãos!

No ônibus rumo ao encontro, Marta conheceu Paulo, obreiro da igreja havia mais de um ano, temente a Deus, emprego de carteira assinada, moreno-escuro, voz terna que transmitia segurança, braço peludo (detalhe aparentemente irrelevante mas que, de alguma forma, excitava as mulheres), o homem dos sonhos de Marta. Paulo vivera passado negro antes de conhecer a igreja: envolvera-se com drogas e bebidas, frequentava bailes funk, metia-se em brigas contra galeras rivais. Mas Jesus o libertara daquela vida desregrada. Livrou-se dos demônios que o induziam ao vício. Graças a Deus! A avó de Marta tornou-se fã incondicional de Paulo (que a agradava com bombons, elogios rasgados à neta), e quantas pessoas houvesse na família também se tornariam: Paulo infundia confiança, exalava simpatia e água de colônia.

Namoraram meio ano, noivaram, contraíram matrimônio no templo, trocaram votos de viverem como eternos namorados; mas não tiveram filhos: não que impedissem, Deus não quis. Melhoraram de vida, Paulo mexeu os pauzinhos e conseguiu colocação para Marta no magistério municipal. Pouco a pouco, ergueram casinha maior, mais confortável em subúrbio pacato; TV, vídeo, geladeira, microondas e outras comodidades da vida moderna compraram pelo crediário. E aqui terminaria a história com final feliz se o diabo não resolvesse interferir. O diabo não gosta de finais felizes.

Paulo era esforçado, vivia fazendo hora extra. Trabalhava no gabinete de vereador da bancada evangélica como misto de segurança e faz-tudo: versátil, consertava automóveis, manjava de eletricidade, pau para toda obra. Infelizmente, tinha de acompanhar o vereador por suas perambulações, ausentava-se amiúde do lar, Marta compreendia, ossos do ofício.

O vereador elegeu-se deputado estadual, e as incumbências de Paulo aumentaram, bem como o ordenado. Paulo não deixava que nada – a não ser sua presença assídua – faltasse no lar. Até um Fusca deu de presente a Marta para ela não precisar penar horas a fio na condução a caminho da escola onde lecionava. Ministrou-lhe as primeiras lições de direção, matriculou-a na auto-escola de um membro da Igreja e, depois, mexeu os pauzinhos lá no Detran para que ela fosse aprovada no exame. Passaram-se décadas, que a vida é assim: quando jovens, o futuro se nos descortina infinito, mas depois cai o véu, o tempo se precipita e, no final, é como se toda a vida tivesse durado um átimo. O deputado estadual elegeu-se deputado federal, Paulo cada vez mais ausente, vivia mais em Brasília do que no Rio de Janeiro.

Até que, um dia, Paulo sumiu de vez. Marta apavorou-se, convicta de que o marido jamais a abandonaria. Passou a noite em claro, ligando pra pronto-socorro, polícia, em vão. No dia seguinte, vizinho compungido veio dar-lhe os pêsames:

– Ué, Paulo morreu? – perguntou Marta incrédula.
– Você não sabia?
– Não. – A crise de choro emudeceu-a.
– Está no jornal. Anúncio fúnebre, quer ver?

Estava lá, Marta viu com os olhos que a terra há de comer. Amigos e familiares comunicavam o falecimento e convidavam para o sepultamento. Que familiares? Paulo sempre afirmara que perdera os pais cedo e era filho único. O féretro sairia da capela 5 do cemitério São João Batista. Tratar-se-ia de homônimo? Só podia – Deus, todo-poderoso, fazei com que seja um homônimo. Para descobrir, só indo lá. Foi. Susto. Era Paulo, mortinho da silva. Como de costume, pessoas choravam. Depois de, a duras penas, conseguir controlar o pranto, Marta dirigiu-se a um deles:

– É seu parente?
– Meu pai. – Marta levou um susto.
– E a mãe, onde está?
– Naquele canto, bebendo o cafezinho.
Pois é, o diabo não gosta de história com final feliz!


(conto escrito em junho de 1999 e inédito em livro)


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NO FUNDO, NO FUNDO, de IVO KORYTOWSKI

CRÔNICA ESCRITA EM JULHO DE 2005


As aparências enganam.

Por mais desprendida que seja uma pessoa (pense em Madre Teresa de Calcutá) sempre haverá alguém que jurará que no fundo no fundo ela não passa de uma egoísta. E por facínora que seja (pense em Hitler) sempre haverá alguém para desconfiar que no íntimo até que “ele tinha um bom coração” (“com que ternura tratava a secretária”).

Quem levou ao paroxismo essa arte de dizer que nada é como parece foi a psicanálise. Se você diz que gosta, inconscientemente está detestando. Se você ama, inconscientemente odeia. E por aí vai. Só que a coisa não é tão mecânica assim. O seu inconsciente não é como os seus cabelos, que você vê ali no espelho. É, por assim dizer, como o seu coração, que vai batendo à sua revelia e, de repente, lhe prega uma surpresa. E assim como você entrega os cuidados do seu coração ao cardiologista, deve entregar os cuidados de seu inconsciente ao psicanalista. Capice?

Dia desses, descia eu a Nossa Senhora de Copacabana em direção à Figueiredo refletindo sobre essas filosofices quando deparo, na Praça Serzedelo Correia (naquele famoso point de mendigos e meninos de rua), com antigo amigo do tempo da escola, o Renato.

— Há quanto tempo — exclamei.
— Você não morre tão cedo! Estava pensando em você esses dias.
— É mesmo?
— Viu no jornal a história daquele sujeito que colocou na Internet um vídeo dele transando com a namorada? Parece que ela não sabia que estava sendo filmada.
— O que que tem o cu a ver com as calças?
— Lembrei que você costumava fazer protestos indignados, que não fazia sentido a gente ter que comer as putas mercenárias, enquanto nossas lindas e adoradas namoradas guardavam a virgindade pra... outro!
— Eu tinha umas idéias meio pra frente na época.
— E com aquele seu jeito de rebelde sem causa você ganhava tudo que era garota!

Conversa vem, conversa vai, de repente vem ao encontro do meu amigo aquela mulata tipo globeleza.

— Oi, linda. — Dirigindo-se pra mim: — Deixa eu apresentar minha mulher, Diana.
— Édson, muito prazer.
— Édson é meu amigo do tempo do colégio.
— Velhos tempos.
— Pois é, Édson, temos que ir. Minha mulher tem consulta marcada. Aqui tem meu cartão, vê se manda um e-mail.

Despedimo-nos. Foi aí que notei o apuro com que meu amigo estava trajado — sapato de cromo, relógio de ouro. E associei nosso encontro às minhas reflexões anteriores. Eu que, com meu papo sedutor vivia cercado de gurias, no fundo no fundo era um tímido e não conseguia namorar nenhuma. E o meu amigo, cujos traços angulosos e espinhas no rosto espantavam qualquer garota e que, naquele meio juvenil, era o protótipo do looser, acabou se dando bem na vida, cheio da grana (assim se afigurava), bem casado — bota bem nisso!

No fundo, no fundo...


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ESTES JUDEUS! de Jorge García Hamilton


Texto original espanhol, traduzido pelo editor do blog, com base numa tradução anterior de Marcos L. Susskind

Vocês já pensaram nisso? O que você faria neste mundo sem os judeus? O que se sente ao fracassar nesta luta contra os judeus? Por que não usar a energia em algo mais produtivo em vez de odiar sem fundamento os judeus? Os judeus sobreviveram aos egípcios, babilônios, persas, gregos, romanos, otomanos, alemães, soviéticos e o restante do mundo... Por que aqueles que fazem protestos diante da embaixada de Israel acreditam que em algum dia eles vencerão a disputa contra os judeus? Após 65 anos do Holocausto, o povo judeu tem uma nação próspera e moderna no mesmo lugar onde seus vizinhos não conseguiram mais que miséria e deserto com muita areia. 

Além disso, todos os anos um judeu ganha um prêmio Nobel, de 25% dos prêmios Nobel da história, 170 são judeus. Todos esses que fazem manifestações diante da embaixada de Israel e odeiam os judeus odeiam a metade inteligente da humanidade. Deixemos bem claro: não sou judeu, mas católico, mas não sou estúpido. 

Jesus era judeu e nunca renunciou ao seu judaísmo. São Paulo de Tarso era judeu, a Virgem Maria era judia, os doze apóstolos e os primeiros papas da Igreja foram judeus.

Claro, meus amigos socialistas, inimigos dos judeus, lhes digo que Karl Marx era judeu, mas também o foram os criadores filosóficos do capitalismo, Samuelson, Milton Friedman etc. 

Se jogamos na Bolsa, se usam as teorias de Markowitz, que era judeu. 

Nenhum dos que se manifestam contra Israel pode ir ao psicólogo (Sigmund Freud era judeu), não deve tomar aspirina (Spiro era judeu), não pode ser diabético porque você me dirá... o criador da forma de aplicar insulina, Karl Landsteiner, era judeu. Tampouco pode ser vacinado contra a poliomielite, contra a cólera, nem contra a tuberculose, seus inventores ou descobridores foram famosos judeus.

Nenhum manifestante contra Israel pode ir vestido já que Isaac Singer, o da máquina de costurar, era judeu... Evidente, nem pode usar jeans, porque Levi Strauss era mais um judeu. Calvin Klein, Ralph Lauren ou Donna Karan, famosos designers de roupas, são judeus.

Ah! o microfone que usam para lançar ataques violentos contra os judeus foi invento de um judeu chamado Emil Berliner. E um tal Philip Reiss, também judeu, trabalhou nos aparelhos de audição que serviram de base para o telefone... A primeira máquina calculadora foi ideia de um judeu, Abraão Stern. 

Os palitos de fósforo são invenção de um judeu, Sansão Valobra. Claro que nestas manifestações não se deve usar nenhuma das ideias filosóficas de Durkheim, Spinoza ou Strauss embora sejam fundamentais para a nossa sociedade... Kafka era judeu, Albert Einstein era judeu, Ana Frank foi judia.

Nada de usar o Google já que os seus criadores, Larry Page e Sergey Brin são judeus. 

Adeus Batman e Homem-Aranha, porque Max Fleischer, o criador da Marvel Comics, é judeu.

Todos os que se manifestam contra Israel devem usar apenas brinquedos de corda porque as pilhas Energizer são coisa de Joshua Lionel. Sim, senhoras e cavalheiros, ele era judeu.

Uma empresa de Israel foi a primeira a desenvolver e instalar uma fábrica que funciona só com energia solar para produção de eletricidade em grandes quantidades no deserto de Mojave na Califórnia. Também as memórias USB foram inventos de judeus! Todos os jovens "pijoprogres" devem abandonar seus videogames Sega, já que são coisa do judeu David Rosen. Também devem esquecer os sorvete Haagen-Daaz ou os Donuts.

As lindas mulheres que vão protestar contra os judeus terão que deixar de maquiar-se já que Esthee Lauder é judia tal como Helena Rubinstein, e  claro   nada de brincar com bonecas Barbies.

E quanto aos grandes diretores de orquestra? Como Leonard Bernstein ou Daniel Baremboim? 

Nenhum dos manifestantes deve assistir a filmes da MGM ou da Warner Bros, nem o canal Fox ou o Universal Studios ou a Columbia Pictures. 

Não poderão assistir a Spielberg, Harrison Ford, Paul Newman, Kirk Douglas, Jessica Parker, Dustin Hoffman ou Barbara Streisand entre centenas de outros.

Progressistas do mundo, parem de sujar suas mãos com produtos de judeus, meio mundo devemos a eles.

Falemos a verdade: qual é o único Estado realmente democrático, moderno, ocidental, limpo, laico em todo o Oriente Próximo, Médio e Extremo? Qual é o único país do mundo em que há hoje mais árvores que havia há cem anos? Qual país tem a maior média de universitários por habitantes no mundo? Qual país produz mais documentos científicos por habitantes que qualquer outro país? Qual foi a primeira nação do mundo a adotar o processo Kimberly, que é um padrão internacional que certifica os diamantes como "livres de conflito"? Qual país desenvolveu a primeira câmera de vídeo ingerível, tão pequena que cabe no interior de um comprimido e é usada para observar o intestino delgado por dentro, e ajuda no diagnóstico de câncer e outros distúrbios digestivos? Em que país foi desenvolvida a tecnologia de irrigação por gotejamento? E onde foi que Albert Einstein fundou uma universidade? Qual é o 2° país em leitura de livros por habitante? Qual é o país que fornece ajuda humanitária em todo o mundo, o tempo todo? Que país enviou ao Haiti uma equipe de resgate com 200 pessoas logo após o terremoto? Que país montou uma clínica de resgate após o terremoto devastador no Japão? Que país fez gratuitamente cirurgias de coração para salvar a vida de mais de 2.300 crianças, incluindo palestinas? Acertaste... I S R A E L !!!

CARTAS DE LONDRES: CARTAS DE UM GRINGO, de RODRIGO LEBRUN

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG DO NOBLAT EM 23/11/2016



Estou no Brasil, vim para o aniversário do meu pai. Era pra ser uma surpresa para ele, mas acabou sendo uma para mim.

A São Paulo cosmopolita não me impressiona mais. Tive a oportunidade de visitar muitas outras cidades pelo mundo e ver a estética e a atitude de Shopping Center que se diz exclusiva, mas que o é apenas no preço. Vejo isso como um lado pasteurizado da globalização. Mesmo a idéia do ‘cool’ é emprestada de outros lugares adaptadas de uma forma estranha, como o inglês embromation da vida real.

Para quem leu minha primeira carta, tenho andado muito em Londres, seria um desperdício não fazê-lo por aqui. Queimei com o sol, queimei calorias e acabei vivenciando uma cidade que, mesmo sem o ar-condicionado, também passa a ser um lugar sem os engarrafamentos, sem o atraso e sem o aperto; uma São Paulo de feriados, só que todos os dias.

O que faz esse lugar tão especial é a confluência de povos, sotaques, sabores e visões. São Paulo é um lugar que desafia os sentidos. Se São Paulo fosse um quadro, não seria renascentista, mas expressionista abstrato. O caos gera texturas que talvez não agradem a todos, mas que são muito interessantes. É o contraste do concreto de Niemeyer com o verde de Otávio Augusto Teixeira Mendes, do vidro que reflete o que a cidade quer esconder, do asfalto que derrete e das seringueiras que parecem vir de outro planeta.


Não quero romantizar a pobreza que vi, pois reconheço o sofrimento daqueles que a cidade mastiga e cospe diariamente.

Me surpreendi com preço de quem paga com estresse as poucas horas de hedonismo nos bares e restaurantes da cidade. Se São Paulo tem aspirações de metrópole global, essa realidade já chegou nas contas, com valores que me fazem lembrar de um lado de Londres que eu não gosto.

Fiquei impressionado com a quantidade de espaço inutilizado em lugares como a avenida Sumaré numa cidade onde o metro quadrado está ficando cada vez mais caro. Se é uma bolha, dever ser uma de concreto.

Vi e ouvi a São Paulo que está na rua, dos eventos dos finais de semana, dos ambulantes vendendo na Paulista, do vão do MASP que não é mais vão por estar cheio o tempo todo. Da praça Roosevelt, com milhares de coisa ao mesmo tempo. É como assistir a internet ao vivo.

Vi a arte de graça no CCBB e na Bienal, que não tem nomes pomposos como Tate ou Hayward Gallery, mas que mostram alguns dos trabalhos que vi nesses lugares.

Sempre disse aos meus amigos gringos que voltaria para São Paulo todos os finais de semana se pudesse, se continuar desse jeito, incluirei as quintas e sextas.