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UM PAÍS DURO DE DIGERIR, por ZUENIR VENTURA

Magistral esta crônica do Zuenir sobre o caráter contraditório de nosso país, publicada em O Globo ontem. Ele menciona a ciclotimia coletiva brasileira. Em crônica intitulada Ninguém Segura Este País? que escrevi para a Oficina Literária em 2002 falei sobre essa ciclotimia. A minha humilde crônica vem após a do mestre Zuenir.


UM PAÍS DURO DE DIGERIR, por ZUENIR VENTURA

Uma jornalista francesa fez esta semana uma entrevista conjunta com Roberto D’Avila e comigo, entre outros, para tentar entender o Brasil às vésperas da Copa do Mundo e das eleições. Não é tarefa fácil. A França de René Descartes é, além de cartesiana, claro, previsível. Bem antes das últimas disputas municipais, já sabia que os socialistas iam perder, que a oposição ia ganhar e que a extrema-direita ia crescer ameaçadoramente.

Já nós, não sabemos nem quais serão os candidatos, nem se Dilma vai se reeleger ou se Lula vai voltar. Se não há certeza sobre o presente, como prever o por vir? Nossa desculpa para ela foi que, como disse o ex-ministro Pedro Malan, “no Brasil até o passado é imprevisível”.

E tanto é verdade que todos nós, jornalistas, economistas, sociólogos, erramos de tal maneira em nossas antevisões que somos chamados de “profetas do passado” — só conseguimos acertar o que passou, assim mesmo, nem sempre.

Além de nossa colega, muitos tentaram nos decifrar. “É o país do futuro” (Stephan Zweig), “É o país dos contrastes” (Roger Bastide), “Não é um país sério” (Charles de Gaulle), “Não é um país para principiantes” (Tom Jobim). O Brasil parece se divertir em ser rebelde e irredutível às classificações. Ambíguo, ele não é uma coisa ou outra, mas as duas.

Não é isso ou aquilo, mas isso e aquilo. Complexo e surpreendente, ao mesmo tempo cordial e violento, generoso e mesquinho, honesto e corrupto, egoísta e solidário, trabalhador e preguiçoso, o país gosta de desmentir o que se diz dele, a favor ou contra. É capaz de infames perversidades, teve um dos sistemas de escravidão mais cruéis do mundo, cometeu atrocidades como as que estão vindo a público agora, nos 50 anos do golpe militar, é insensível aos seus milhões de miseráveis.

É a sexta economia mundial, mas ocupa o 85º lugar em desenvolvimento humano. Apesar disso, pode se mostrar solidário e fraterno diante de um desastre natural, socorrendo vítimas e fornecendo-lhes alimentos e roupas, por meio de um voluntariado organizado ou não. Campanhas como as de transplantes e doação de órgãos, por exemplo, são, pelo recorde de adesões, referências mundiais.

Para ver como funciona outra importante característica nossa, a ciclotimia, que faz nosso astral e nossa autoestima oscilarem da euforia à depressão, sugerimos à jornalista voltar depois da Copa, quando o país será outro — melhor ou pior, já que aqui o evento não é apenas esportivo, mas também cívico, e “a seleção é a pátria de chuteiras” (Nelson Rodrigues).

Se vencer, uma onda de otimismo se estenderá até a política. Se perder — Felipão já foi avisado — será o inferno, como foi em 1950, cujo trauma da derrota está enquistado até hoje em nossa memória coletiva.


NINGUÉM SEGURA ESTE PAÍS? por Ivo Korytowski (escrito em setembro de 2002)

O estado de espírito coletivo do brasileiro é ciclotímico: às fases de ufanismo desbragado (“Ninguém segura este país”, ou, mais recentemente, a euforia pós-plano Real) sucedem-se tempos do mais negro pessimismo (O último a sair apague a luz!) E há um quê de totalitário nestas ondas de humor: quando todos estão deslumbrados, ai de quem ousar criticar o país (Brasil, ame-o ou deixe-o)! E quando todos estão desiludidos, pega mal, não é de bom-tom discernir algum aspecto positivo na nação ou no governo. Ou bem estamos à beira do abismo, ou bem estamos na antecâmara do paraíso: não há matizes, não há nuances, não há meios-termos.

Já o estado de espírito privado do brasileiro (aquilo que ele sente in pectore e que só vem à tona nas conversas íntimas ou, coletivamente, apuradas as eleições) é monolítico: um bloco de brasileiros cultiva prazer masoquista em se queixar de “tudo isto que está aí”: tudo no Brasil, sem exceção — educação, segurança, renda, televisão, saúde etc. — vai de mal pra pior. Esse bloco vê conspirações por todo lado: Criou-se um novo feriado? É para os funcionários não se revoltarem contra os baixos salários. Se grassa nova epidemia, o vírus foi propagado pelas multinacionais pra vender remédio. A debacle da Argentina, prenúncio do que está por vir cá por nossas plagas.

O outro bloco ufana-se de viver no melhor país do mundo, abençoado por Deus, e bonito por natureza. A mulher brasileira, se Deus criou coisa melhor, ficou só pra ele. O progresso transpira por todos os poros: enquanto trinta anos atrás ligação entre Rio e São Paulo tinha de ser solicitada à telefonista, e só era completada horas depois, hoje em dia qualquer pé-rapado circula fagueiro com seu celular. Restaurante, alguns anos atrás, programa caro, reservado às datas especiais: Dia das Mães, aniversário. Agora, em qualquer bairro, além do comércio tradicional — farmácia, padaria — pululam pizzarias e restaurantes a quilo — sem falar nos churrasquinhos em plena calçada. A corrupção sempre existiu, e foi até pior no passado, mas agora que vivemos numa legítima democracia começa a vir à tona (sinal de avanço!). E o debacle Argentino... eles seguiram o caminho errado, nós optamos pelo caminho certo!

É como se estes dois “blocos” vivessem em dois países totalmente distintos.

O fato é que o copo com água pela metade pode parecer “meio cheio” ou “meio vazio”, conforme a vontade do freguês. Nossa renda per capita não é muito inferior à da Polônia, país encravado em plena Europa central, sendo três vezes superior à da Índia. O Brasil tem mais do dobro da economia da Rússia, que não é um país qualquer, mas a ex-segunda superpotência mundial.* Disputamos pau a pau o mercado mundial de aeronaves de médio porte com o avançado Canadá (certa vez, retornando pela Swissair da Europa pra cá, enchi-me de orgulho ao ler, na revista de bordo, que as linhas aéreas regionais do grupo haviam fechado um contrato de aquisição de não sei quantas aeronaves com a... Embraer). Nosso índice de acidentes de avião é de 0,8 contra 0,7 da Europa e 8,7 da África. Temos um mercado editorial pujante superior (em número de títulos lançados) ao da Itália, e nossas Bienais do Livro atraem centenas de milhares de visitantes. Em certas áreas da Medicina (por exemplo, cirurgia plástica) somos referência mundial. O Brasil é o único país do Hemisfério Sul a participar do projeto Genoma.

No outro lado da balança, a seca nordestina — vergonha das vergonhas — vem se repetindo, implacavelmente, sem solução à vista. A violência urbana atingiu índices insuportáveis: no Rio de Janeiro, morre uma pessoa a cada dois dias vítima de assalto (sem falar nas vítimas das balas perdidas nos tiroteios entre facções criminosas ou entre criminosos e polícia). Poucos países no mundo apresentam disparidade de renda maior do que a nossa: 24,4% dos brasileiros vivem com até um salário mínimo, e apenas 2,6% da população economicamente ativa percebe mais de vinte mínimos.** A corrupção se afigura endêmica e dificilmente (quem é empresário, sabe) se fecha algum contrato com órgão público (da prefeitura de cidadezinha do interior à Estatal) sem deixar um “por fora”.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, reza o ditado. A virtude está no meio-termo, ensinou Aristóteles. Portanto, julguemos o nosso Brasil com equanimidade. Não percamos a consciência crítica dos problemas e lutemos com unhas e dentes (e também através do voto consciente) por sua solução. Mas não esqueçamos que “minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”!

* Fonte: Banco Mundial, dados de 2000 (renda per capita pelo Método PPP - Paridade do Poder de Compra.
** Fonte: Dados do Censo 2000 citados na Veja de 12/5/02.



1964: GOLPE OU REVOLUÇÃO?


Extraído do livro Brasil: de Getúlio a Castelo de Thomas Skidmore (pp. 370-3) 

Terá sido uma autêntica revolução o trauma político de 1964? Se o definirmos em termos de uma transformação radical na distribuição do poder entre classes ou setores, somente o tempo pode dar uma resposta a essa pergunta. Poder-se-ia, ao menos, concluir que a vitória do "movimento de 31 de março" pressagiava uma metamorfose radical das instituições políticas? Esta pergunta recebeu uma resposta parcial a menos de duas semanas após o golpe.

João Goulart foi deposto por uma revolta militar. Sua fuga não tinha sido o resultado de ação da elite política civil. Ao contrário, os oponentes de Goulart no Congresso sequer haviam tentado procedimentos de impeachment, pois sabiam não contar com os votos necessários para vencer um tal teste, exatamente como os antigetulistas não tinham votos suficientes em 1954. Embora a maioria dos congressistas nutrisse profundas suspeitas sobre as intenções de Goulart, não se decidiam a embargá-lo segundo os fundamentos previstos na Constituição. Tal relutância nada tinha de estranhável. Como políticos profissionais, receavam o que poderia vir na esteira de um impeachment. Em consequência, não havia um só líder congressista do centro disposto a encabeçar um movimento para impedir o Presidente. E os militantes da UDN favoráveis a tal movimento, como Bilac Pinto, eram figuras suspeitas para a liderança da maioria, constituída de próceres do PSD, temerosos de que o afastamento de Goulart pudesse resultar num expurgo geral da "camarilha" do partido.

Nos dias imediatamente consecutivos à fuga de Goulart, houve um período de apreensivo manobrar entre a elite política do velho estilo. Muitos políticos, mormente no PSD e na ala moderada da UDN, tentaram proceder como se 1964 estivesse fadado a ser pouco diferente das crises anteriores de 1954, 1955 e 1961. O primeiro sinal de uma real diferença surgiu, porém, quando o Congresso se recusou declaradamente a formalizar a saída de Goulart deixando de votar (nenhuma resolução foi sequer apresentada) que ele estava impedido de continuar a exercer poderes presidenciais. O Marechal Lott conseguira, em novembro de 1955, esse voto contra Carlos Luz e Café Filho. Não fora necessário em 1954 nem em 1961, quando Vargas e Quadros tinham abandonado o posto. Por que, em 1964, o Congresso não tentou repetir o voto de 1955? Em parte porque a maioria — ainda PSD-PTB como em 1954 — estava grandemente apreensiva sobre o próprio futuro e muito mais interessada em pensar acerca do próximo presidente do que em ratificar a inglória saída do último presidente. (Em 1955 o presidente já tinha sido eleito e representava a aliança PSD-PTB.) O fato era que em 1964 a iniciativa pertencia aos militares e os políticos o sabiam.

A Constituição determinava uma eleição para dentro de trinta dias, se tanto a presidência como a vice-presidência ficassem vagas. As crises políticas se tinham sucedido com tal rapidez no princípio da década de 60 que o Brasil agora não dispunha de um vice-presidente para a sucessão. Ao contrario da crise de 1954, quando o Exército endossou a investidura do Vice-Presidente Café Filho, ou da de 1961, quando os adeptos da legalidade alçaram o Vice-Presidente Goulart ao paço presidencial, um novo nome teria de ser encontrado. Os políticos iniciaram as sondagens. Recairia a escolha num experimentado líder pessedista da centro-esquerda, como Tancredo Neves, ou num político do velho estilo, como Gustavo Capanema? Talvez um general centrista como Amauri Kruel? Ou um patriarca civil-militar como Dutra?

O que a especulação ignorava era o debate mais significativo que crepitava por trás dos bastidores. Os militares extremistas, logo conhecidos como a "linha-dura", estavam agora ansiosos para ganhar o controle da política brasileira. No seu entender, as intervenções militares desde 1945 nada tinham resolvido. Estavam decididos a não repetir o erro de entregar o poder a outro subgrupo da elite política que poderia levar de volta o Brasil ao beco sem saía da "corrupção" e da "subversão". Não haveria eleição presidencial antes que os "revolucionários" militares pudessem certificar-se de que o poder político se tinha adaptado a seu talante.

Desde o momento em que assumiu o cargo, nas primeiras horas da manha de 2 de abril, o Presidente em exercício Mazzzilli e a liderança congressista da linha antiga ficaram sob intensa pressão para expulsar de suas fileiras legislativas aqueles que os militares rotulassem como inaceitáveis e para obter do Congresso legislação antisubversiva de emergência. No dia 7 de abril a exigência dos três Ministros militares, nomeados por Mazzilli (exceto Costa e Silva, o Ministro da Guerra, que literalmente se havia nomeado no dia 2 de abril e foi meramente "conservado" no posto por Mazzilli), tornou-se do conhecimento público. A legislação exigida pelos militares daria ao Executivo amplos poderes para expurgar o funcionalismo civil e revogar os mandatos de membros das legislaturas federais e estaduais.

Entretanto, os lideres do Congresso não pareciam dispostos a entregar os pontos. Os líderes conservadores da UDN e do PSD elaboraram uma própria versão de um ato de emergência que deixava claro que não endossavam a diagnose feita pelos "linha-duras" do problema político do Brasil. Em outras palavras, os políticos civis não estavam desejosos de empreender a "cirurgia" na extensão e maneira que os militares exigiam.

Em consequência, os revolucionários fardados tomaram "o pião na unha". A 9 de abril de 1964, os três ministros militares simplesmente deixaram de tomar conhecimento do ato de emergência submetido pelos políticos e publicaram, com a autoridade que tinham assumido arbitrariamente como Supremo Comando Revolucionário, um Ato Institucional. O Ato, elaborado por Francisco Campos (autor da Constituiição de 1937), conferia ao Executivo do Brasil poderes extraordinários para resolver o impasse político. Começava por afirmar que a Constituição de 1946 e as Constituições estaduais deviam permanecer em vigor, sujeitas as modificações inc1uídas nos artigos do Ato Institucional. Os novos poderes concedidos ao Executivo incluíam o seguinte: 1) o poder de submeter emendas constitucionais ao Congresso, que teria somente trinta dias para considerar as propostas e apenas precisava aprová-las pelo voto de uma simples maioria, ao invés de pelo voto de dois terços requeridos na Constituição de 1946. O Presidente recebia também poder exc1usivo para propor projetos de despesas ao Congresso e negava-se-lhe o direito de aumentar despesas em quaisquer projetos submetidos pelo Presidente. O Presidente recebia igualmente poderes para declarar estado de sítio ou prolongar tal estado de sítio por um período máximo de trinta dias sem aprovação do Congresso. 2) O Executivo recebia amplos poderes para suprimir direitos políticos até por dez anos. Isto inc1uía o direito de cassar os mandatos de membros de legislaturas estaduais. municipais ou federais. Havia também um artigo suspendendo por seis meses as garantias constitucionais de segurança para os funcionários públicos.

Este ato do Supremo Comando Revolucionário era uma resposta nova à crise de autoridade política que se evidenciava no Brasil desde os meados da década de 50. Quadros tinha se queixado de que lhe faleciam poderes adequados para lidar com o Congresso. Goulart repetira a queixa, chegara a propor um estado de sítio em outubro de 1963 e, em princípios de 1964, apresentara diversas propostas especificas para fortalecer o braço do Executivo. O Ato Institucional era, pois, nova e decisiva resposta à manifesta incapacidade do Executivo Brasileiro de exercer a necessária autoridade.

A ação dos militares em 1964 foi, assim, além de qualquer outra intervenção desde 1945, porque o Exercito estava quase a ponto de repudiar a elite política como um todo. O Ato Institucional mudou temporariamente as regras da política democrática. A implicação era evidente: a politica de compromisso tinha sido desacreditada pelo jogo "ultrademocrático" de Goulart. A intervenção do Exercito era um retorno à mensagem antipolítica pregada por Jânio Quadros: tinha sido a irresponsabilidade dos "políticos" que conduzira o Brasil à beira do caos.

DESAJUDA, de Tony Bellotto


Publicado originalmente na coluna dominical de Bellotto em O Globo em 16 de março de 2014. Você provavelmente discordará, mas que tem lá sua lógica e seu fundo de verdade, isso tem...

Paschoal Fromm é uma lenda urbana (...) Atribui-se a ele a criação do estranho método de autoajuda transcrito abaixo.

Paschoal Fromm é uma lenda urbana. Não se sabe ao certo se ele existe. Um de seus feitos notáveis é ter conseguido apagar os traços da própria existência. Não se encontram rastros de Paschoal Fromm na internet ou em documentos. Diz-se que Paschoal era um jovem ambientalista alemão que chegou ao Brasil no final da década de 1990, e depois de ter perambulado pela Amazônia e pelo Pantanal e se iniciado em rituais mágicos indígenas abandonou a causa ambientalista e tornou-se morador de rua em cidades da Baixada Fluminense. Atribui-se a ele a criação do estranho método de autoajuda transcrito abaixo. Correm boatos de que em noites de tempestade Paschoal Fromm se transforma num lobo-guará a assombrar pedestres de ruas escuras com uivos aterradores.
Os onze passos de Paschoal Fromm:

1- Impurifique-se
A ideia da purificação está presente em rituais de seitas e religiões. É um mito desprovido de qualquer sentido. Na natureza os elementos se contaminam de impurezas. Nietzsche afirma que “aquilo que não me destrói me fortalece”. Beba as águas poluídas dos rios contaminados. Lance-se ao mar infestado de coliformes fecais. Fortaleça-se pela sujeira, você não tem outra opção.

2- Obscureça-se
A ideia da iluminação é uma balela inventada por gurus famintos. O máximo que uma iluminação pode proporcionar é o ofuscamento da visão. Obscureça-se. Goethe, pela voz de Mefistófeles, afirma em “Fausto”: “Quem anda e à luz do sol pesquisa, em meras ninharias pisa. Mistérios vivem no negror”. Enverede pelas trevas. Encontre-se na escuridão.

3- Pense negativo
A ideia do pensamento positivo é um placebo psicológico. Pensar positivo só fez criar a sociedade neurótica e hipócrita em que vivemos. Nietzsche afirma: “É preciso um caos interior para dar à luz uma estrela bailarina”. Pense negativo, pense no pior. Tudo parecerá melhor.

4- Desconheça-se
A ideia do conhecimento interior só se justifica se quisermos conhecer melhor nossas entranhas. O que faria de qualquer gastroenterologista um Buda. Não há nada dentro de você além de órgãos, tecidos, sangue, fluidos, músculos e ossos. Desista de querer se conhecer, você é a pessoa mais positivamente desinteressante para si mesma. Jogue-se ao desconhecido, aja por instinto.

5- Duvide de si mesmo
A ideia da autoconfiança só produziu arrogantes risonhos. Duvidar de si mesmo é dar chance à transformação, e sem transformação não há vida nem movimento. Raul Seixas afirma: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Não se leve a sério. Ria de suas certezas. Das minhas também.

6- Desconcentre-se
A ideia da concentração serviu para criar a monótona meditação zen-budista e os insuportáveis cursos para executivos. A concentração como conceito inflou ainda mais o imenso oco que trazemos dentro de nós. Desconcentre-se, deixe-se levar pelos desvãos. O poeta Paulo Leminsky afirma: “Distraídos venceremos”. Mesmo morto Leminsky foi o escritor que mais vendeu livros no Brasil no ano passado.

7- Desoriente-se
A ideia da orientação é uma bobagem. Senão, bússolas seriam vendidas a preço de diamantes. Orientar-se para onde? Pelo quê? De que adianta acertar os relógios pelo meridiano de Greenwich? Doe seu relógio para os peixes do fundo do rio. Jogue o celular no liquidificador. Perca a hora. Repita toda manhã: “Foda-se o meridiano de Greenwich!”. Você se sentirá muito melhor depois de alguns dias.

8- Desfaça-se
A ideia de que é preciso estar “composto” para enfrentar a vida é totalmente aleatória. Quanto mais descomposto, mais apto você estará para enfrentar o absurdo da existência. E o “desfazer-se”que aconselho não tem nada a ver com a estúpida ideia do “desapego” budista, que só conduz à resignação. Desfaça-se mesmo, literalmente, perca a unidade, seja um milhão de cacos desconexos.

9- Desista
A ideia de que desistir é procedimento de fracos foi concebida por generais preocupados em motivar soldados na frente de batalha. Saber desistir é uma arte para sábios. O próprio Buda afirma: “Nada de especial deve ser feito para ser salvo”. Aliás, não há nenhuma salvação. O Buda, mais que ninguém, sabia que a ideia de “salvação” é uma ilusão das mais nefastas. Desista. Tudo fica mais leve depois que você desiste.

10- Perca-se
A ideia da “perdição” como derrota moral é fruto de mentes perversas. Perder-se sempre foi a meta das mentes livres. Mulheres perdidas sempre se divertiram mais que as virtuosas. “A mulher que andou na linha o trem matou”, diz o ditado. Perca-se, perca-se, perca-se. Um dia você esquece para onde estava indo.

11- Desapareça
A ideia de que desaparecer é uma desgraça só faz sentido num mundo em que todos querem aparecer a qualquer preço. Nietzsche afirma: “A convivência com os homens perverte o caráter, especialmente quando não se tem caráter”. Se o seu ideal de realização não é aparecer no Instagram nem no Facebook, você já desapareceu. Sorte sua.

BOM PARA OS EUA É BOM PARA O BRASIL, de LUIZ ALFREDO SALOMÃO

Corajoso e oportuno o artigo de Luiz Alfredo Salomão publicado em O GLOBO de hoje propondo a legalização da maconha. Desde a década de 60 a juventude gosta de curtir um baseado, mas depois a moçada cresce e toma juízo. Num momento em que o tráfico carioca contra-ataca e procura reconquistar as áreas perdidas para as UPPs, uma asfixia financeira via legalização seria uma mão na roda no combate à violência e à superpopulação carcerária. Se os EUA podem, por que nós também não podemos? A seguir, a reprodução do artigo:


“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.” A frase do embaixador Juracy Magalhães era usada para ironizar os “entreguistas” nos anos 1970 a 90 e, até hoje, divide os brasileiros. No entanto, quase todos os nossos políticos procuram adotar aqui políticas públicas que observaram na Europa e, principalmente, nos EUA. Leonel Brizola, nacionalista inconteste, era observador atento das instituições estrangeiras e do que elas poderiam contribuir para a vida no Rio e no Brasil.

Agora, quando dois estados americanos legalizaram o uso recreativo da maconha e 39 outros estudam reformas liberalizantes nesse campo, pode-se esperar para breve, no Brasil, uma onda de iniciativas legislativas na mesma direção. Afinal, o que é bom para os EUA continua a...

Nunca fui usuário da Cannabis nem participei do lobby pela sua legalização. Mas agora me convenci a pugnar por uma política de descriminalização da droga, acompanhada necessariamente de ampla campanha de comunicação social, para alertar sobre os malefícios de seu consumo, e de um programa competente de atenções à saúde dos viciados. Isso poderá gerar ótimos resultados, como os obtidos pela cruzada contra o fumo no Brasil.

Entre 1985 e 2010, o número de usuários do tabaco caiu em 50% no país, porque se conseguiu aumentar a consciência social sobre os males do tabaco e o fumante passou a ser visto como um quase delinquente. Em vez de temer a legalização, portanto, o governo deveria criar políticas positivas, deixando de lado as repressivas.

As UPPs criaram na população a ilusão de que as forças da segurança pública estão vencendo a guerra contra as drogas. Nada mais equivocado. O comércio destas mercadorias segue de vento em popa, inclusive nas comunidades pacificadas. Em consequência, mantêm-se todas as mazelas: corrupção policial, disputas violentas por mercados locais, comunicação fácil entre chefões que estão na tranca com seus subordinados etc. A legalização da Cannabis pode golpear o tráfico, que perderia sua principal mercadoria para as farmácias e tabacarias. Além disso, poderá também aliviar todos os componentes do sistema de Justiça Criminal brasileiro.

No sistema penitenciário, do total de 513.713 apenados, nada menos que 144.198 (quase 30%) foram condenados por tráfico de entorpecentes. Isto equivale ao número total de presos existentes em 1985 de todos os tipos criminais.

Hipoteticamente, se fosse legalizada a maconha, as vagas liberadas corresponderiam a 75% do déficit atual de vagas nas 470 penitenciárias brasileiras. A este número de presos já condenados somam-se os traficantes e usuários que aguardam julgamento nas mais de mil cadeias públicas, também abarrotadas.

Nos EUA, há 2,3 milhões de apenados, grande parte dos quais por tráfico ou uso de drogas. Nas últimas quatro décadas, foram encarcerados 1,5 milhão de pessoas por tais motivos. A política de repressão às drogas custa US$ 50 bilhões por ano, mas é considerada um fracasso, pois o consumo não para de crescer. A nossa política para o setor, da União e dos estados, é um desastre.

Não está na hora de mudar o jogo e legalizar o comércio e o uso recreativo da maconha? Na minha opinião, seria bom para o Brasil, independentemente do que acontecerá nos EUA."

FELIZ 2014, de PAULO GUEDES


CRÔNICA PUBLICADA ORIGINALMENTE EM O GLOBO DE 30/12/2013

A espécie humana insiste na extraordinária ousadia de rejeitar suas despretensiosas origens. O homem criou narrativas de fuga de sua modesta natureza. Demos fôlego a nossas precárias existências elaborando as primeiras crenças e religiões. Era preciso dar sentido a vidas biologicamente acidentais, fragilíssimas e sobretudo curtas. O encantamento do mundo foi uma exigência de mentes primitivas assombradas pela grandiosidade de um incompreensível universo. Filósofos e teólogos deram significado a vidas efêmeras construindo pontes para mundos transcendentes, habitados por almas eternas. Sopros de esperança e magia alimentando nossa vontade de viver. 

"O homem, um curioso acidente ocorrido num canto do universo, é inteligível: sua mistura de virtudes e vícios é aquela que se pode esperar do resultado de uma origem fortuita. Se me fosse concedida a onipotência e milhões de anos para experimentá-la, não me gabaria de ser o homem o resultado de todos os meus esforços", observa o resoluto ateísta Bertrand Russell. "É curiosa a ideia de que uma proposta cósmica superior esteja especialmente voltada ao nosso pequeno planeta, pois seremos destruídos quando o Sol explodir e se tornar uma estrela anã fria e branca daqui a 1 bilhão de anos", prossegue Russell em suas dúvidas quanto às boas intenções do universo em relação aos humanos. O matemático e filósofo inglês tinha especial afeição por Baruch Spinoza, o farol holandês do iluminismo radical, cuja negação dos milagres e do sobrenatural, anúncio da morte do diabo e denúncia da credulidade das massas deram início ao desencantamento do mundo. 

Compreender é um milagre ainda maior que existir. A consciência da transitoriedade de nossas vidas e de sua improvável transcendência torna imperativo realizar nossas possibilidades com ainda maior intensidade. Criamos significados para nossas vidas aperfeiçoando nossos talentos e cooperando com os demais em busca de sonhos comuns. Para Rousseau, a diferença entre o homem e o animal está na faculdade de aperfeiçoamento, de fuga de seus instintos naturais. "A vontade ainda fala quando já se calou a natureza." Que possamos dar mais significados a nossas vidas, aperfeiçoando-nos a cada dia de 2014. Afinal, temos ainda 1 bilhão de anos pela frente.

NATAL DAS CRIANÇAS NEGRAS, de Cyro de Mattos

"Árvore das Naçôes" de José Henrique Breda (Pintores com a Boca e os Pés)

Eles moravam no morro, a irmã era chamada de Bel, o irmão de Nel. Bel não recebia da vida a doçura feita com mel. E Nel não vivia a vida, lá no alto morro, como se estivesse no céu. A mãe deles chamava-se Maria. Vestia trajes simples, gastos pelo uso diário. Nunca vestiu um manto azul feito de seda para brilhar no dia, como se via na igreja com a imagem da Virgem Maria.

A mãe de Bel e Nel era lavadeira. Tinha as mãos grossas de calo de tanto bater roupa na correnteza de águas límpidas. Durante a semana descia o caminho pelo barranco com a bacia de roupas sujas na cabeça. Quando chegava à beira do rio, colocava a bacia de roupas em uma pedra grande, junto ao areal. Não demorava e começava a tirar as roupas da trouxa. Molhava, ensaboava, esfregava, lavava e torcia. Estendia as roupas nas pedras pretas para secar ao sol. As pedras pretas, cobertas de roupas estendidas, de repente apareciam coloridas naquele trecho do rio.

O pai de Bel e Nel chamava-se José, era carpinteiro. Sabia usar com habilidade os instrumentos de trabalho: martelo, serrote, enxó, plaina e formão. Suas mãos pequenas faziam cadeira, mesa e banco. Consertavam porta, janela e portão. No mês que Bel completou seis anos de idade, o carpinteiro José começou a sentir dores na espinha. Os ossos inflamados, as mãos trêmulas, o corpo todo doía. À noite no quarto gemia. O coração dele foi diminuindo o amor que tinha por São José, o padroeiro da cidade, por causa da doença que o afligia. Até que um dia o pai de Bel e Nel perdeu para sempre sua constante fé em São José, o santo protetor dos carpinteiros.

O tempo de Natal era chegado. Nel queria um avião grande, Bel uma boneca que chora. Viram o velho gordo com o rosto rosado pela primeira vez na televisão da loja. Carregava um saco de brinquedos nas costas. Tinha a barba branca e os cabelos sedosos. Vestia uma roupa vermelha. Calçava botas pretas. Numa das cenas em que aparecia na telinha, deixava escapar do rosto rosado um sorriso que transmitia uma sensação de alegria e paz a cada criança que ia falar com ele e receber o seu carinho. Os meninos no passeio da loja não tiravam os olhos da televisão. Comentavam que o velho dava brinquedos à criançada sem querer nada de volta. Eles sorriam quando o velho aparecia com as roupas folgadas na telinha. Olhinhos deles todos no querer, como que encantados cintilavam.

Com olhinhos espertos e risinhos que enchiam os dentinhos, Bel e Nel foram olhar a árvore enfeitada com bolinhas e luzinhas, armada em um dos cantos da loja. À noite as luzinhas acendiam e apagavam. A estrela no alto comovia. Descobriram depois o presépio em outro canto da loja, com os camponeses, pastores e bichos. Ficaram admirando o pequeno estábulo do presépio, que tinha o teto coberto de folha de palmeira. Um galo de crista vermelha estava no telhado. Uma estrela brilhava na cumeeira, toda acesa de Deus. Nossa Senhora e São José mostravam os semblantes felizes, ao lado de Jesuscristinho, que dormia o sono bom no berço puro e quente, feito de palha. E os três reis magos, ali no presépio, davam a entender que não eram dignos de tocar na palha onde Jesuscristinho dormia o sono sereno.

Sentados no meio-fio do passeio da loja, Bel e Nel escutavam agora a musiquinha que saía alegre pelo alto-falante no poste. De vez em quando o alto-falante baixava o som. Então a musiquinha fazia um fundo musical no mesmo instante em que entrava a voz pausada do locutor. A voz dele informava que vinha de Belém a estrela mais bela. Fora trazida pelas mãos da maior madrugada. Seu brilho imenso descaía do céu e vinha iluminar a relva onde os bichos anunciavam e cantavam o nascimento do menino Jesus. A voz do locutor ficava emocionada quando comunicava que naquele dia o menino pobre nascia no estábulo. Esse menino Deus vinha para afugentar o mal de toda a terra. A voz doce do locutor terminava a mensagem de paz eterna com mais emoção no final quando então revelava que os sinos do mundo inteiro nessa hora tocavam: É Natal! É Natal!

O alto-falante voltava a tocar a musiquinha alegre, acompanhada dessa vez de uma cantiga cativante. Bel e Nel continuavam sentados no meio-fio do passeio. Recebiam o sopro da brisa que circulava na rua, ao final do dia. A brisa suavizava os rostos deles dois em silêncio, enquanto seus pequenos corações eram tocados pela cantiga que se repetia e começava assim:

Botei meu sapatinho
Na janela do quintal.
Papai Noel deixou
Meu presente de Natal...

Dizia a cantiga ainda mais, que o velhinho sempre visitava o quarto de cada menino onde deixava, ali, um brinquedo como presente naquela noite especial. Seja rico, seja pobre, seja branco, seja preto, como Bel e Nel, o velhinho sorridente e bondoso não esquece de ninguém.

Bel e Nel colocaram os chinelos na janela do quarto. Nada acharam no outro dia. Do ponto mais alto do morro ficaram olhando as nuvens alvas, trafegando no céu como grandes almofadas. Umas nuvens menores desenhavam brinquedos enquanto iam passando mansas diante dos olhos tristes deles dois.

Eles viam nesse instante a cidade lá embaixo, aos seus pés. Imaginavam a algazarra da manhã festiva. No passeio, no jardim, em qualquer canto da casa. Cada menino o brinquedo exibia. Saltava, dançava, corria, sonhava, voava, sorria.

Então souberam como o mundo dava as costas a Jesus. Não queria ver Maria. Escondia-se de José. O Natal era a lágrima que pelo rosto deles dois descia.

E uma canção desfazia.



FRASES BEM BOLADAS & MINHOCAS NA CABEÇA & REFLEXÕES INTELIGENTES

I - FRASES BEM BOLADAS


Os ursos polares adoram o frio, já os bipolares às vezes adoram, às vezes não...

Eu sempre quis ter o corpo de um atleta, graças ao Ronaldo, isso já é possível.

Programador órfão procura placa-mãe...

Liquidação de Muletas - venha correndo!...

Mamãe, por que você bateu naquela mulher que a gente viu chorando no túmulo do papai?

O amor é como a gasolina da vida: custa caro, acaba rápido e pode ser substituída pelo álcool.

Ex-namorado é que nem vestido: você vê em foto antiga e não acredita que teve coragem de, um dia, ter saído com aquilo!

Antes eu não era perfeito... Faltava-me a modéstia.

Gostaria de saber o que esse Jeová fez de errado pra ter tantas testemunhas assim...

A febre tifoide é aquela febre que, ou você cura ou ela ti.

Pobre é fogo, sempre diz que não tem nada, mas quando chove, fala que perdeu tudo.

Marido é igual a menstruação: quando chega, incomoda; quando atrasa, preocupa.

Aquele que, ao longo de todo o dia, é ativo como uma abelha, forte como um touro, trabalha que nem um cavalo e ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão deveria consultar um veterinário. É bem provável que seja um grande burro.

A calcinha não é a melhor coisa do mundo, mas está bem perto.

A mulher está sempre ao lado do homem, para o que der e vier; já o homem, está sempre ao lado da mulher que vier e der.

Bebo porque sou egocêntrico... gosto quando o mundo gira ao meu redor.

Todo homem tem a fantasia de fazer sexo com duas mulheres ao mesmo. As mulheres deveriam gostar da idéia. Pelo menos, teriam com quem conversar depois que ele pegasse no sono.

Sabe o que é a meia idade? É a altura da vida em que o trabalho já não dá prazer e o prazer começa a dar trabalho!

Se CHEFE fosse arquivo, a extensão seria '.fdp'

Todo mundo tem cliente. Só traficante e analista de sistemas é que tem usuário.

Cabelo ruim é igual a bandido... ou tá preso ou tá armado.

Homem gato, gostoso, gente fina e fiel é igual a nota de R$ 30,00... eu nunca vi...!!!

Casar é trocar a admiração de várias mulheres, pela crítica de uma só!!!

Preguiçoso é o dono da sauna... que vive do suor dos outros.

Antigamente mulher gostava de cara que era cavalheiro, educado, romântico, carinhoso. Depois, passou a gostar de cara que se mostrava, que lutava JIU JÍTSU... Agora a moda é KARATÊ! O kara-tê dinheiro, o kara-tê carro, o kara-tê fama, o kara-tê peitoral definido...

Quem trabalha muito, erra muito. Quem trabalha pouco, erra pouco. Quem não trabalha não erra. E quem não erra... é promovido.

A faculdade virou uma instituição financeira que vende diplomas, o aluno é o consumidor interessado em comprar o diploma e, o professor, é o cara que quer atrapalhar as negociações.

Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança!

Gordo é que nem Ferrari... quando sobe na balança vai de zero a cem em um segundo.

Aprenda uma coisa: o mundo não gira em torno de você... Só quando você bebe demais.

Se um dia, a vida lhe der as costas... Passe a mão na bunda dela.

O Brasil é um país geométrico... tem problemas angulares, discutidos em mesas redondas, por bestas quadradas.

Amigo meu não tem defeito, inimigo se não tiver eu coloco.

Quando jovens temos tempo e saúde, mas falta o dinheiro; quando adultos temos dinheiro e saúde, mas falta tempo; quando velhos temos tempo e dinheiro, mas falta a saúde.

O homem come a ave, a ave come o verme, o verme come o homem.
(Frases de autores desconhecidos)


Sexo é o único esporte que não é cancelado quando falta luz.
(Lawrence Peter, escritor)

Meu cérebro é meu segundo órgão favorito.
(Woody Allen, ator e cineasta)

Só acredito naquilo que posso tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
(Luiz Fernando Veríssimo, escritor)

Sexo é hereditário. Se seus pais nunca fizeram, você não fará.
(David Zing, fotógrafo e colunista)

A diferença entre o sexo pago e o sexo grátis é que o sexo pago costuma sair mais barato.
(H. L. Mencken, jornalista e escritor)

O objeto mais leve do mundo é um pênis. Basta um pensamento para levantá-lo.
(grafite num muro de Nova Iorque)

Mulher é igual circo. Debaixo dos panos é que está o espetáculo.
(pára-choque de caminhão)

Certas mulheres amam tanto seu marido que, para não gastá-lo, usam o de suas amigas.
(Alexandre Dumas Filho, romancista)

O marido não deve ser o último a saber. Ele não deve saber nunca.
(Nelson Rodrigues)

O sol nasce para todos, a sombra pra quem é mais esperto.
Esperanto é a língua universal que não se fala em lugar nenhum.
Das três melhores coisas da vida a segunda é comer e a terceira é dormir.
Carro é como mulher: só é bom pra quem tem dois.

(Stanislaw Ponte Preta)

Comecei uma dieta: cortei a bebida e as comidas pesadas e em quatorze dias perdi duas semanas!
(Tim Maia)

O uísque é o melhor amigo do homem. Ele é o cachorro engarrafado.
(Vinicius de Morais)

Não é triste mudar de idéias; triste é não ter idéias para mudar.
(Barão de Itararé)

Era um menino tão mau que só se tornou radiologista para ver a caveira dos outros.
(Jô Soares)

A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.
(Carlos Drummond de Andrade)

Quem mata o tempo não é assassino, é suicida!
(Millôr Fernandes)


Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
(Luiz Fernando Veríssimo)

Comunista até você ficar rico, feminista até se casar, ateu até o avião começar a cair.
(The Hypocrite Diaries)

Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta.
(Barão de Itararé)

O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
(Barão de Itararé)


II - MINHOCAS NA CABEÇA


Quem está de cabeça para baixo: os japoneses ou nós?

De onde vem tanta água? (Por exemplo, as águas do Amazonas!)

Por que o orgasmo não dura uma hora, ou os camarões não proliferam como a sardinha - ou seja, por que Deus foi tão avaro com as coisas boas?

Será que Deus se importa com os risos e as lágrimas dos homens tanto quanto os homens se preocupam com as alegrias e tristezas das formigas?

Se o dinheiro traz a felicidade, por que não se fabrica em maior quantidade? (E se não traz, por que é tão almejado?)

Por que os videntes não ficam milionários jogando na Bolsa (ou na Megassena)?

Se, por um acesso de insanidade, todos os passageiros de um avião deixarem de acreditar ser ele capaz de voar, o aparelho cairá?

É possível contemplar o pôr-do-sol sem olhos? (Os espíritas afirmarão que sim.) Deslocar-se sem pernas? (Os espíritas não têm dúvidas de que sim.) Sentir o perfume da flor do campo sem nariz? (Os espíritas talvez achem que sim.) Apreciar o sabor das iguarias sem língua? (O que dirão os espíritas?) Ter orgasmo sem órgão genital? (Claro que não!)

Existem outras pessoas? (Em outras palavras, quem garante que não sou louco?)

Por que os intelectuais de minha geração se fascinaram com as experiências trágicas da Rússia, China, Albânia etc. e ignoraram por completo a aparentemente bem-sucedida experiência holandesa?

Na maré alta, o mar se dilata ou fica um vazio no fundo?

Por que, antes de 1933, ninguém jamais afirmou que Nostradamus previu a ascensão de Hitler? (Por que só se descobre que os videntes previram um fato depois que aconteceu?)

Deus criou também os micróbios e o cocô?

Freud chegou a ter algum paciente semivitalício como (praticamente) o são os pacientes da psicanálise moderna? (Meus amigos psicanalistas que me perdoem esta brincadeira!)

Se os dez maiores engenheiros do mundo forem confinados em uma ilha deserta, farão brotar um Empire State Building? (Em outras palavras, daqui a mil anos, surgirá um livro sobre o século XX intitulado Eram os Engenheiros Astronautas?)

Estará a morte para a vida como a vigília para o sonho? (Ou seja, ao morrer, acordaremos para outra realidade?)

Se os sacerdotes são tão íntimos de Deus, por que não O convencem a fazer mais milagres? (Ou, inversamente, se são tão ineficazes, por que os sustentamos?)

Existem anjos? Números irracionais? Princípios morais? A mesa ou cadeira platônica, em si? A dignidade? O mal? Iemanjá? O inferno? O outro lado da lua? O nirvana?

Se não passamos de um átimo na infinidade do espaçotempo, por que nos percebemos como o centro do Universo?

Cai um avião lotado e se salvam alguns passageiros. Rezam agradecidos. Se Deus pôde salvá-los, por que não se esforçou mais um pouquinho e evitou o acidente?

Por que os homens deixam de acreditar em Papai Noel e continuam acreditando no Papai do Céu?

Por que chatos de galocha, ecologistas e naturalistas de plantão não atribuem às ondas de rádio e televisão que cruzam a atmosfera o aumento da incidência do câncer? (Talvez agora que dei a idéia, passem a atribuir – mas quero os “direitos autorais”!)

Por que o microfone não acabou com o canto lírico, o cinema não acabou com o teatro e o helicóptero não acabou com o alpinismo?

Por que temos medo do nada após a morte e não temos medo exatamente do mesmo nada antes de termos nascido?

Onde estavam os anjos da guarda quando os nazistas mataram centenas de milhares de crianças?

Por que nenhum místico ou vidente, em viagem astral, jamais vislumbrou que (por exemplo) durante milhões de anos a Terra foi habitada por dinossauros?

Por que não existem Cláudias, Márcias e Danieles feias? (Ou seja, o nome de batismo determina as características físicas?)

Por que os fantasmas das milhões de vítimas dos nazistas não vieram puxar os pés de seus algozes enquanto estes dormiam? (Ou seja, para que existem fantasmas se são ineficazes?)

Não passa pela cabeça dos naturalistas que cicuta e veneno de cobra são cem por cento naturais? (Aceita uma dose?)

Não passa pela cabeça dos naturalistas que usar óculos é totalmente antinatural?

Por que na Literatura as prostitutas são “santas”, os policiais vivem “crises existenciais”, os bêbados são iluminados e os ricos são desalmados quando todo mundo sabe que as putas são frias negociantes do próprio corpo, os policiais costumam ser truculentos, o alcoolismo é um flagelo e há quem fique rico pelo próprio esforço?

Se o século XXI começou no ano 2000, como apregoou a mídia, o século I começou no ano zero? (Existiu o ano zero?)

Os sentimentos também se compõem de átomos?

Por que tanto alvoroço em torno do fim do milênio, se a divisão do tempo em mil anos é arbitrária, convencional (como as fronteiras entre os países)?

Por que quem nunca se interessou por arte, quando vai a Paris, faz questão de visitar o Louvre; quem nunca se interessou por arqueologia, quando vai a Londres, sente vontade de visitar o British Museum; e quem nunca se interessou por religião, em Roma, acha que tem de ver o papa?


Se em 1930 viviam na Terra 2 bilhões de pessoas, em 1800, 1 bilhão, há 2 mil anos, uns 200 milhões e há 10 mil anos, de 2 a 3 milhões (ou seja, se a população antigamente era bem menor do que hoje) como é possível que todos os 7 bilhões de humanos atuais vivessem várias vidas passadas em outras épocas?

III - REFLEXÕES INTELIGENTES



MOMENTOS (AUTOR DESCONHECIDO)
              
Para entender o valor de um ano:
Pergunte a um estudante que não passou nos exames finais.
Para entender o valor de um mês:
Pergunte a uma mãe que teve um filho prematuro.
Para entender o valor de uma semana:
Pergunte ao editor de uma revista semanal.
Para entender o valor de uma hora:
Pergunte aos apaixonados que estão esperando o momento do encontro.
Para entender o valor de um minuto:
Pergunte a uma pessoa que perdeu o trem, ônibus ou avião.
Para entender o valor de um segundo:
Pergunte a uma pessoa que sobreviveu a um acidente.
Para entender o valor de um milissegundo:
Pergunte a uma pessoa que ganhou uma medalha de prata nas olimpíadas.
O tempo não espera por ninguém. Valorize cada momento de sua vida.

CHURCHILL SOBRE A DEMOCRACIA
Democracy is the worst form of government, except for all those other forms that have been tried from time to time.

A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras que foram ocasionalmente tentadas. (De um discurso na Câmara dos Comuns em 11 de novembro de 1947. Churchill havia ganhado a guerra mas foi derrotado na eleição de julho de 1945. Apesar disso, não perdeu a fé no sistema democrático e retornou ao poder em 1951.)

ANTONIO CARLOS VILLAÇA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA POESIA

Maritain disse que o mundo precisava mais de metafísica do que de carvão. Podemos dizer hoje que o mundo precisa mais de poesia do que de petróleo. A poesia é de fato a emoção reelaborada na tranquilidade. É, assim, a síntese da emoção e da paz. 

PESSIMISMO BÍBLICO
E proclamei mais felizes os mortos que já há tempos faleceram do que os vivos, que ainda existem. E mais felizes que ambos, aquele que ainda não nasceu, que ainda não experimentou a malvadez que se pratica sob o sol. (Eclesiastes, 4. Pensamento análogo foi expresso por Sileno na resposta ao rei Midas sobre qual o maior bem desta vida, conforme narrado por Plutarco. Disse ele: Non nasci omnium est optimum: mortuum autem esse longe est melius quam vivere  O melhor de tudo é não nascer; mas, no caso de haver nascido, muito melhor é ao homem o morrer que o viver.) 

GERALDO HOLANDA CAVALCANTI SOBRE A ARTE DE TRADUZIR 
Escrever é um ato de coragem. Traduzir o é duas vezes mais. O escritor está livre de escrever o que quiser, de dar forma a todos os seus fantasmas. O tradutor é escravo do autor original. [...] O prazer que retira de seu penoso trabalho é solitário. Resta-lhe a satisfação do feito, como a do atleta que alcança pular a vara mais alta ou superar-se a si mesmo no salto à distância. (Jornal de Letras, 170, p. 8)

ARNALDO NISKIER SOBRE O POVO JUDEU
Não acreditamos em superioridade racial, mas há um registro que nos enche de orgulho. Os judeus representam hoje cerca de 0,23% da população mundial. A prova do valor da sua gente pode estar nesse dado essencial: 155 dos seus filhos venceram, em diferentes categorias, o Prêmio Nobel. De 1901, quando foi criado, até agora foram distribuídos 829 Prêmios Nobel. Os judeus ganharam 19% desse total, numa prova inequívoca do apreço ao estudo e à ciência, característica marcante do povo do livro." (Jornal de Letras, 167, p. 6)

GOLDA MEIR SOBRE O POVO ESCOLHIDO
Quanto a serem os judeus um povo eleito, jamais concordei com isso. Parecia-me — e ainda me parece — mais razoável acreditar não que Deus escolheu os judeus e sim que os judeus foram o primeiro povo a escolher Deus, o primeiro povo na História a fazer algo realmente revolucionário, e foi essa escolha que o tornou singular. (Golda Meir, Minha vida, p. 13)

CARPE DIEM DO POETA ROMANO HORÁCIO

Sapias, vina liques, et spatio brevi
spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida
aetas: carpe diem, quam minimum credula postero. (Livro I, ode XI, versos 6-8) 

Em inglês:
Be wise, strain the wine; and since life is brief, prune back far-reaching hopes! Even while we speak, envious time has passed: pluck the day, putting as little trust as possible in tomorrow! 

Em português (em bela tradução, não descobri de quem): 
Sê prudente, começa a apurar teu vinho, e nesse curto espaço Abrevia as remotas expectativas. Mesmo enquanto falamos, o tempo, 
Malvado, nos escapa: aproveita o dia de hoje, e não te fies no amanhã.

SCHOPENHAUER SOBRE DEUS
Se um Deus fez este mundo, eu não gostaria de ser esse Deus: a miséria do mundo esfacelar-me-ia o coração.

SØREN KIERKEGAARD SOBRE A VIDA
A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.

EPICURO SOBRE POR QUE DEUS PERMITE O MAL NO MUNDO

Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode.
Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus.
Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus.
Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus.
Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males?
Por que razão é que não os impede?


JORGE LUIS BORGES SOBRE A PROMESSA FEITA À MÃE DE REZAR O PADRE-NOSSO TODAS AS NOITES
Eu não sei se tem alguém do outro lado da linha, mas ser um agnóstico significa que todas as coisas são possíveis, mesmo Deus. Este mundo é tão estranho, tudo pode acontecer, ou não acontecer. Ser um agnóstico permite-me viver num mundo mais amplo, num tipo mais futurístico de mundo. Faz-me mais tolerante.

CÍCERO SOBRE O ABSURDO DA FILOSOFIA
Nihil tam absurde dici potest, quod non dicatur ab aliquo philosophorum.
Não há nada, por mais absurdo, que não tenha sido dito por um filósofo.

DESCARTES SOBRE O ABSURDO DA FILOSOFIA
Aprendi desde o Colégio que nenhuma opinião, por mais absurda e incrível, poderia ser imaginada que não tivesse sido defendida por algum filósofo. (Discurso do Método, II)

AMOS ELON SOBRE O ABSURDO DA RELIGIÃO
Os muçulmanos ridicularizavam os cristãos por acreditarem  que Deus pôde ter um filho com uma mulher mortal. Os cristãos consideravam absurdo que os arcanjos tivessem ditado toda a verdade sobre Deus a um sujeito iletrado de uma tribo de uma obscura cidade da Arábia. Os judeus zombavam dos dois por suas lendas implausíveis, esquecendo que poderia parecer igualmente implausível que Deus tivesse firmado um pacto especial somente com eles, deixando o resto da humanidade nas trevas. Os cristãos acreditavam na Eucaristia mas consideravam absurdo a recusa de muçulmanos e judeus de comerem carne de porco.
(Amon Elon, City of Mirrors, citado na Time, 38/89, p. 52)

MIGUEL SOUSA TAVARES SOBRE O PAPEL DO ESCRITOR
O livro é quase um serviço público: tem que dar aos outros qualquer coisa em termos de informação, de distração, de romancear. Fazer o leitor ficar pensando nos personagens, no romance, na história. Tem que deixá-lo imaginar. E não basta escrever bem, tão bem que o leitor a certa altura pare de ler porque não está a seguir uma história, mas um texto literário. Escrever é um serviço prestado aos outros. É como ser médico, arquiteto, bombeiro. É um serviço público, você escreve para os outros. Não escreve para si, nem para seu grupo de amigos, nem para os críticos. (Entrevista a O Globo, 26/6/04)

WILSON MARTINS SOBRE A DICOTOMIA ESQUERDA/DIREITA
As ideias não são boas ou más por provirem de direita ou de esquerda, mas por seu valor efetivo: há más ideias de natureza esquerdista e boas ideias de natureza direitista. Os que pensam por etiquetas assemelham-se aos puristas da língua na página clássica de Eça de Queiroz, pouco interessados na verdade dos conceitos ou na beleza da literatura, e apenas preocupados com a casticidade do vocabulário e a ortodoxia da sintaxe. Ao supor que tais rótulos tenham realmente algum sentido, não há nenhuma superioridade moral em ser de direita ou de esquerda, tanto mais que, na prática, nada existe de mais parecido com os regimes de esquerda do que os de direita: o esquerdismo é a política da oposição (mesmo por parte dos direitistas) e o direitismo é a política do governo (mesmo nos regimes tidos por esquerdistas).

ROBERTO CAMPOS SOBRE SER SOCIALISTA

Quem não é socialista aos 20 anos não tem coração, e quem assim permanece aos 40 anos, não tem imaginação. (Roberto Campos, A lanterna na popa, pág. 237-8. Na verdade, Campos faz uma alusão não-explícita à célebre frase do líder político alemão Willy Brandt: "Quem aos 20 anos não é comunista, não tem coração; e quem assim permanece aos 40 anos, não tem inteligência." Aliás, atribui-se a Juraci Magalhães frase mais vulgar, mas que no fundo diz a mesma coisa: "Quem não foi comunista quando jovem não viveu; quem continuou comunista depois de se tornar maduro é um bobo.")

ESPIRITUALIDADE SEGUNDO O RABINO HAROLD SCHULWEISS
E onde procurar a transcendência? Será que não há maravilhas demais em seu mundo? Você não abriria mão dos êxtases da vida, das maravilhas, dos sinais, dos milagres em troca da simples possibilidade de se virar livremente na cama, de tossir, de espirrar, caminhar, se lavar sem dor ou cansaço?

Nissim, milagres — não em montanhas se movendo ou pessoas caminhando pela superfície das águas, mas na emoção de poder respirar e suspirar, compreender a palavra falada ou escrita, acompanhar a lógica de um argumento ou reconhecer um rosto querido. Caminhar, enfim, no êxtase de ser comum, extraordinariamente comum.

Eu me indago sobre os viajantes da espiritualidade, que buscam inquietos sinais místicos, mantras especiais, sessões espíritas, levitações, transmigrações, transes para estabelecer comunicação com os mortos, contatos com extraterrestres. [...] Eles buscam a Deus, e as maravilhas e a espiritualidade em lugares tão distantes, escalando montanhas e sondando o fundo do oceano.

Onde mais poderiam buscar a espiritualidade?
[...]

O tesouro não está distante. Ele está perto de você, em seu bairro, no meio de seu povo, em torno de você. Não está nos céus ou nas profundezas da terra, mas dentro de você. “Em sua boca e em seu coração.”

MILLÔR FERNANDES SOBRE O PERÍMETRO DA VIDA
Até um certo momento da minha vida, quando eu viajava bastante, tive a impressão de ser um homem do mundo. Depois descobri que era brasileiro e, mais tarde, que era carioca. Hoje tenho certeza de que sou um homem da Praça General Osório. O perímetro da minha vida vai diminuindo cada vez mais. Meu círculo vai de Ipanema a Copacabana. Raramente vou ao Centro da cidade. (Entrevista ao Jornal do Brasil em 24/6/89)

NORA RÓNAI (viúva de Paulo Rónai) SOBRE A RELIGIÃO
Sempre fui prática. Amigas minhas foram abençoadas pelo dom da fé. Eu fui abençoada pelo dom da dúvida. Sempre achei essa história de Deus muito mal contada. Além disso, todas as melhores pessoas, moralmente falando, que já conheci na vida, como o Paulo, o Millôr (Fernandes), não eram religiosas. É preciso uma coragem moral muito maior. (Matéria de O Globo em 6/6/2014)