MACHADO DE ASSIS: TREZE MELHORES CONTOS
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SÓCRATES E O HAMAS, de Jayme Copstein

Estava começando a reler o discurso com que Sócrates se defendeu, em vão, no tribunal que já o condenara à morte antes mesmo de ouvi-lo, quando me chegou o noticiário sobre o incidente protagonizado por soldados do Exército israelense e militantes pró-islâmicos no navio turco “Mavi Marmara”. Fui logo para Internet, tentado saber o que acontecera de fato. 

Ressalvadas algumas vozes comedidas, chocadas com a tragédia, porém advertindo da necessidade de informações completas para a emissão de juízo, logo explodiu a histeria de sempre quando se trata de Oriente Médio. 

Não vou enumerar os massacres com dezenas e até centenas de milhares de vítimas em eventos na Nigéria, Somália, Sudão, Saara Ocidental, Tibet, Etiópia e em outros cenários de uma extensa lista porque boa parte dos leitores sequer terá prestado maior atenção no noticiário que enumerou as mortes como se fora em um balanço contábil. 

Chamou-me a atenção, todavia, entre as sentenças dos “tribunais populares” que logo congestionaram determinados sites, a observação de um “juiz” sobre “qual desfaçatez Israel vai arranjar agora para negar sua culpa”. Daí, pincei alguns parágrafos do discurso de Socrates, que me parecem muito atuais, mesmo tendo sido pronunciados há 2.400 anos: 

“Qual a impressão que, cidadãos de Atenas, os meus acusadores vos causaram não sei, mas, quanto a mim, quase cheguei a me esquecer de mim mesmo, tão persuasivos foram os seus argumentos. E, não obstante, é difícil achar no que disseram uma palavra verdadeira. Entre as muitas falsidades que proferiram, uma houve que me deixou perplexo - foi quando afirmaram que devíeis estar de sobreaviso, para não vos deixardes iludir por mim, dado eu ser um formidável orador. Por isso pensei que a maior desfaçatez do seu procedimento foi a falta de pudor de se verem desmentidos pelos fatos, quando eu aparecesse perante vós tal como sou, jamais como hábil orador; salvo se eles chamam hábil orador àquele que é verdadeiro. (...) que a vossa atenção não se prenda à forma do meu discurso, pois talvez seja pior, ou talvez seja melhor - e considereis de preferência e atentamente apenas isto: se o que digo é justo ou não, pois nisso consiste a virtude de juiz, enquanto a virtude do orador consiste em falar a verdade”.

O Conselho de Segurança da ONU condenou o uso da força que resultou na tragédia, mas acrescentou a necessidade de uma investigação “imediata, imparcial e transparente”.

A investigação do Conselho de Segurança da ONU é por demais necessária. Com toda a certeza, vai começar por um vídeo do governo israelense, mostrando soldados, antes de reagir, sendo agredidos pelos manifestantes pró-islâmicos com barras de ferro e machadinhas, quando o helicóptero os desceu no navio turco. O vídeo pode ser visto aqui

O próprio Governo israelense reconheceu que houve erro tático e deve punir a incompetência de quem comandou a abordagem do Mavi Marmara com poucos soldados, insuficientes para conter os alegados 600 manifestantes que o navio transportava. No meio de pacifistas sinceros, com toda a certeza havia militantes treinados para entornar o caldo, como é comum em qualquer movimento de massas. 

Não prever a hipótese é convite à tragédia.

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