JUSCELINO KUBITSCHEK



"LANÇO OS OLHOS MAIS UMA VEZ SOBRE O AMANHÃ DE MEU PAÍS" de Stella Leonardos

Pelo Planalto sem fim
         lá vais indo, Juscelino:
num monomotor tão mínimo
         pra teu sonho tão grandioso.

Tão pronto o aviãozinho pousa
         te sentas, naquele toco,
de árvore junto de um corgo.

E leio no Livro de Ouro
         o que escreves pra teu povo:

           “Deste Planalto Central
desta solidão que em breve se
transformará em cérebro das
mais altas decisões nacionais,
lanço os olhos mais uma vez
sobre o amanhã de meu país e
antevejo esta alvorada, com uma
fé inquebrantável e uma
confiança sem limites no seu
grande destino.”

Não sei se é manhã, se é tarde.
  Do que eternas, Juscelino,
da esperança  que te inscreve,
         raia uma eterna alvorada. 

(Do livro SAGA DO PLANALTO)



JUSCELINO SEGUNDO PEDRO NAVA:

Nossa turma era muito unida e até hoje os doutorandos de 1927 mantemos contato uns com os outros e anualmente nos reunimos para um jantar de confraternização no aniversário de formatura [...] Fomos clínicos, cirurgiões, especialistas, médicos do interior, médicos de cidade e professores. Seria motivo para outro gênero de livro estudar as personalidades de um a um e mostrar o que a todos ficou devendo a Medicina do Brasil. Um nome, entretanto, está nesta lista sobre o qual não se passa sem palavra de reverência: o de Nonô Kubitschek. Ele projetou-se mais que os outros como personalidade brasileira e mundial. Fora sua simpatia radiosa, seu espírito sempre alerta, sua alegria sadia, seu zelo pelos estudos, seu prodigioso coração — outros predicados não distinguiam aquele menino vindo da casinha de porta e três janelas da rua do São Francisco, na Diamantina — dos outros meninos de sua turma.


Era um moço de talento entre tantos outros bem dotados daquele grupo de doutores de 1927. Ainda não se tinham produzido as circunstâncias sociais e políticas que iriam transformar esse homem num gênio nacional, que figura em nossa história no rol em que estão o nosso descobridor, os desbravadores, os bandeirantes, os integradores da pátria, os fautores da unidade nacional, os libertários da Inconfidência, do Dezessete e Vinte-e-quatro, os pró-homens da Independência, Abolição, da Proclamação da República, os grandes Chefes de Estado. Dos últimos, foi o maior e sua glória excede às de D. João, dos Pedros, de Isabel, de Prudente e dos Conselheiros porque nenhum desses governos foi tão cheio de consequências como o seu. A construção de Brasília e a Conquista do Oeste desviaram completamente o curso de nossa história e deram-lhe perspectivas até hoje não completamente avaliadas. E o admirável em Juscelino é que ele se conservou na ascensão, na glória, na queda e na adversidade dentro das mesmas qualidades de endurância, brandura, tolerância, alegria e bondade que tinham habitado o menino cuja infância foi magistralmente traçada por Francisco de Assis Barbosa e cujas qualidades — sobretudo a do perdão — foram exaltadas por David Nasser em O Testamento, artigo que vale um livro. Eu que fui seu companheiro de bancos escolares, que acompanhei toda a trajetória de sua vida, que o quis como amigo, que compreendi sua pessoa e admirei suas qualidades — fico bestificado! de ver o ódio que não desarma duma minoria contra a figura deste Pai da Pátria... Não há o que discutir nisso. É responder com a nossa canção, adaptando-a à circunstância.

Tim-Tim, Tim-Tim
Tim-Tim, ô-lá-lá,
Quem não gosta dele?
Do que gostará?


(Do quarto livro de memórias de Pedro Nava, Beira-mar.)





JUSCELINO SEGUNDO ANTONIO CARLOS VILLAÇA:


Juscelino compareceu (...) a uma noite de autógrafos de que participei, na Livraria Cobra Norato, em Ipanema, com Raul Bopp, que lançava Samurai, e Aurélio Buarque de Holanda, que autografava O chapéu de meu pai.


Não me lembrava direito como se escrevia o sobrenome dele. Escrevi apenas — "A Juscelino, glória do Brasil." Ele respondeu, gentilíssimo, envolvente — "Você é que é glória do Brasil." Parecia um bailarino.

Jantamos juntos em casa de Altair de Souza, no Flamengo. Juscelino quase não comia. Tinha pavor de engordar. Sentou-se no chão. Parecia um estudante, um rapaz. Tão lépido. Tão inquieto. Tão buliçoso. De repente, Maria José de Queiróz, a mineira, se pôs a cantar. Juscelino se entusiasmou. Parecia um enamorado.

Um sábado, almoçamos no sítio do advogado Emer Vasconcelos, em Jacarepaguá. Aurélio Buarque de Holanda estava lá. Juscelino comeu como um passarinho. Meia banana. Um camarão. Quase não comia. Esfuziante, sim. Mas talvez nostálgico. Seus olhos de cigano buscavam algo, muito além. Era um ser insatisfeito...

(Do livro Os saltimbancos de Porciúncula, editado pela Record.)


Mais informações sobre Juscelino Kubitschek no Portal Brasil.

2 comentários:

Salomão Rovedo disse...

Ivo nos dá algumas belas, honradas e merecidas lembranças do saudoso ex-presidente JK - brasileiro do tipo que se extinguiu, substituído por uma ou duas gerações medíocres e incapazes, que serão lembradas pelos mais feios, desonestos e anti-éticos fatos da História do Brasil.

Ivo Korytowski disse...

Amigo Salomão, o Juscelino foi um Presidente visionário que perseguiu um sonho de modernizar o país. Antes dele não tinha fábrica de quase nada aqui, tudo era importado, lembra? E Brasília é um prodígio da arquitetura e urbanismo de que nos orgulharíamos não fossem seus ocupantes. Agora o Juscelino, médico de classe média, enriqueceu, e muito, no exercício do poder. Diziam que tinha um prédio inteiro na Vieira Souto, lembra? (Não sei se era verdade.) Claro que aquilo era nada ante esse assalto generalizado ao dinheiro público para encher os cofres de um partido (e os bolsos de alguns de seus membros e familiares) como vemos hoje em dia.